A capacidade aeroportuária na Europa deverá registar um crescimento de 60% nos próximos 25 anos, segundo o estudo Expanding Airport Capacity & Tourism da Colliers Europa.
Este aumento, correspondente a cerca de 380 milhões de passageiros adicionais, fundamenta-se na expansão de infraestruturas e na subida do tráfego aéreo, que atingiu o máximo de 2,6 mil milhões de viajantes em 2025.
O relatório prevê que esta evolução impulsione o investimento em ativos imobiliários, hotéis e retalho.
O documento detalha projetos de grande escala, como a ampliação do aeroporto de Heathrow para 150 milhões de passageiros até 2035, o crescimento do hub de Istambul para 200 milhões até 2028 e o plano de investimento de 13 mil milhões de euros da Aena em Espanha.
O relatório destaca ainda o caso de Portugal, onde o atual aeroporto de Lisboa já ultrapassa os níveis pré-pandemia e enfrenta limitações de capacidade.
Em Portugal, o foco recai sobre a saturação do Aeroporto Humberto Delgado, que superou os 35 milhões de passageiros em 2024. “Como resposta, o país avança com a construção do novo aeroporto Lisboa Luís de Camões, cujo arranque está previsto entre 2029 e 2030. Esta infraestrutura permitirá acomodar o aumento esperado de turistas na próxima década e posicionará Lisboa como um dos hubs mais competitivos do sul da Europa”, afirma Pedro Valente, Managing Director da Colliers Portugal.
Portanto, o Novo Aeroporto de Lisboa e a expansão da capacidade aeroportuária na Europa deverão impulsionar o investimento imobiliário em Portugal. Bem como alavancam os setores de hotelaria e retalho.
A procura turística na Europa será sustentada pelo mercado interno, que deverá representar 77% das chegadas em 2026, mas o crescimento estrutural provirá da região Ásia-Pacífico. Estima-se uma subida anual de 7% nas chegadas desta região até 2034, impulsionada pelo aumento da classe média na China e na Índia. Este fluxo terá impacto no setor imobiliário, com o retalho a prever um crescimento de consumo entre 4% e 5% ao ano e a restauração a captar 22% da despesa total dos visitantes.
O mapa do investimento imobiliário está a alargar-se a destinos secundários como Praga, Budapeste e Cracóvia, acompanhando a expansão das rotas de companhias aéreas de baixo custo. No entanto, o estudo identifica riscos como a instabilidade geopolítica no Médio Oriente e o atraso na entrega de 17.000 aeronaves a nível global.
Em termos de mercado de capitais, o volume de investimento imobiliário em Portugal cresceu 18% em 2025 face ao ano anterior, mantendo as taxas de rentabilidade estáveis num contexto de recuperação do setor na Europa e Ásia.