O Presidente cabo-verdiano, José Maria Neves, apelou publicamente à libertação de todos os presos políticos na Guiné-Bissau, com especial ênfase na situação de Domingos Simões Pereira, líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). O apelo foi feito durante uma cerimónia evocativa do Dia dos Heróis Nacionais, na cidade da Praia.

Neves defendeu a criação de um ambiente de diálogo e entendimento para garantir a transição democrática e a construção de um Estado de direito no país vizinho. A sua intervenção surge num contexto de instabilidade política na Guiné-Bissau, marcada pelo golpe militar de 26 de novembro, que depôs o presidente Umaro Sissoco Embaló e suspendeu o processo eleitoral.

Domingos Simões Pereira, principal líder da oposição, encontra-se detido e incomunicável desde o dia do golpe, sem que lhe tenham sido apresentadas acusações formais. Relatos também apontam para a detenção de outras figuras, como o advogado Augusto Nasambe e jovens ativistas, embora o número exato de detidos permaneça incerto devido à falta de acesso de advogados e organizações não governamentais.

A libertação dos presos políticos é uma das condições impostas pela Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e pela Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) para o levantamento da suspensão da Guiné-Bissau destes organismos regionais.