Os produtores norte-americanos de petróleo de xisto (shale oil) avisam que não conseguem substituir rapidamente o petróleo do Médio Oriente.
Num momento em que o preço do barril sobe acima dos 82 dólares, o disparo na produção vai demorar meses a concretizar-se, alerta o setor.
Depois de um ano de 2025 com os preços do petróleo em baixa, o setor do xistos dos EUA procedeu a despedimentos, cortes no investimento e poços parados.
Apesar dos preços mais elevados no mercado, se o conflito cessar rapidamente, o investimento terá sido em vão.
“Vai-lhe dar mais dinheiro, podem reduzir dívida, podem pagar dividendos. Mas assim que a guerra acabar, tudo vai recuar muito rapidamente”, disse ao “Financial Times” Scott Sheffield, especialista neste setor, sublinhando que não existem mais poços para acrescentar à produção neste momento.
Outro executivo do setor do xisto considera que “é muito cedo” para começar a investir, estimando que os produtores precisam dos preços estáveis a rondar os 75 dólares no próximo ano”, segundo Kirk Edwards, presidente da Latigo Petroleum. “Se os preços estiverem altos durante pouco tempo, e depois caírem quando isto acabar, vão regressar a preços ainda mais baixos do que antes”, acredita.
Por parte do JP Morgan, “o petróleo de xisto dos EUA pode responder, mas o aumento do fornecimento iria requerer vários meses antes da perfuração e conclusão das infraestruturas”, segundo Natasha Kaneva.
Depois dos ataques dos EUA e de Israel, o Irão tem estado a retaliar contra infraestruturas energéticas vitais no Médio Oriente e fechou o estreito de Ormuz, uma passagem marítima crucial para exportar o petróleo e gás da região.
Os analistas do Goldman Sachs e da Wood Mackenzie avisam que os preços do petróleo podem disparar para lá dos 100 dólares por barril se o conflito se prolongar, com os consumidores a pagar a guerra na bomba e via aumento da inflação.
O ministro da Energia dos EUA já disse que o mundo “está muito bem fornecido de petróleo neste momento”, o que dá “mais alavancagem ao presidente Trump nas suas ações geopolíticas sem ter de se preocupar com um aumento louco nos preços do petróleo”, segundo Chris Wright.
A Agência Internacional de Energia (IEA) disse que o petróleo de xisto pode ser a fonte “mais significante” no curto prazo para dar resposta à eventual falta de petróleo no mercado, a partir de poços que ainda não arrancaram a produção, acrescentando mais 400 mil barris diários na segunda metade deste ano.
Mas estes números são insignificantes perante os 20 milhões de barris diários que saem do Golfo Pérsico.
Os EUA estão a produzir um valor recorde de petróleo: 13,6 milhões de barris diários.
“Os produtores desconfiam do sentimento no preço do mercado e pela retórica da política”, disse ao “FT” Cole Smead da Smead Capital Management. “A única coisa que os vai fazer atuar é mais dinheiro por barril. Acreditam que este conflito vai ser curto. Então, porque é que vão levantar-se para dançar?”.
Apesar de tudo, o ‘shale oil’ dá tranquilidade ao mercado energético dos EUA. “Se não fosse o petróleo de xisto americano estaríamos numa grande crise. Estaríamos a ver pânico no preço mundial do petróleo”, concluiu Daniel Yergin da S&P Global.