As críticas do Partido Socialista (PS) aos novos estatutos da Agência Lusa foram acompanhadas pelas restantes bancadas da esquerda parlamentar, num movimento de contestação que uniu forças políticas no hemiciclo. A posição do PS, que lidera a oposição à proposta, encontrou eco nos partidos à sua esquerda, criando uma frente comum contra a alteração dos estatutos da agência de notícias pública.

Enquanto a esquerda se uniu na crítica, o partido Chega optou por uma postura distinta, mantendo-se em silêncio durante o debate e não acompanhando as reservas expressas pelos outros grupos parlamentares. Esta ausência de posicionamento por parte da formação de direita destacou-se no plenário, onde o tema gerou divergências claras entre as várias forças políticas.

A discussão em torno dos novos estatutos da Lusa centra-se em aspetos relacionados com a governação, a independência editorial e o modelo de financiamento da agência. Os partidos de esquerda argumentam que as alterações propostas podem comprometer a autonomia e a missão de serviço público da Lusa, defendendo a manutenção de um estatuto que garanta a sua isenção e cobertura jornalística abrangente.

O processo de aprovação dos estatutos requer um acordo alargado no Parlamento, pelo que a oposição unida da esquerda constitui um obstáculo significativo à sua adoção. A capacidade do PS em congregar apoios em torno desta posição demonstra a sua influência na formação de maiorias parlamentares em matérias sensíveis, mesmo estando na oposição.

A Agência Lusa, fundada em 1987, é a principal agência de notícias portuguesa, fornecendo conteúdo informativo a órgãos de comunicação social nacionais e internacionais. Qualquer alteração ao seu enquadramento legal é tradicionalmente alvo de escrutínio político, dada a sua importância para o ecossistema mediático português.