O Qatar alertou hoje que a situação no Médio Oriente está quase “fora de controlo”, horas antes de expirar o ultimato de Washington ao Irão para aceitar as suas exigências para terminar a ofensiva realizada com Israel.
“Estamos perto do ponto em que a situação na região ficará fora de controlo”, afirmou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) do Qatar, Majed al-Ansari, insistindo que o prolongamento das hostilidades não beneficia ninguém.
“Não há vencedores se esta guerra continuar”, argumentou numa conferência de imprensa, noticiou a estação de televisão Al-Jazeera.
O porta-voz do MNE do Qatar sublinhou que “os ataques às infraestruturas civis e energéticas por qualquer das partes não devem ser aceites”, ao mesmo tempo insistindo na importância de normalizar a situação no Estreito de Ormuz, perante as restrições impostas por Teerão à navegação, como parte da sua retaliação à ofensiva israelo-norte-americana iniciada a 28 de fevereiro contra a República Islâmica.
“O Estreito de Ormuz é um estreito natural, não um canal, e todos os países da região têm o direito de o utilizar livremente”, sustentou Al-Ansari, referindo-se ao grave impacto que está a ter na economia mundial a atual situação da navegação nesta passagem, um dos principais pontos de estrangulamentos do comércio ao nível global.
O próprio Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, redobrou hoje as suas ameaças ao Irão, chegando a declarar que “toda uma civilização morrerá esta noite, para nunca mais voltar”, referindo-se ao que acontecerá após o fim do seu mais recente ultimato.
“Não quero que isso aconteça, mas provavelmente acontecerá. No entanto, agora que temos uma mudança de regime completa e total, onde prevalecem mentes diferentes, mais inteligentes e menos radicalizadas, talvez algo revolucionariamente maravilhoso possa acontecer. Quem sabe?”, observou.
Trump reiterou em várias ocasiões este ultimato a Teerão, exigindo ao Irão a reabertura do Estreito de Ormuz como uma das condições descritas por Teerão como “irracionais” e “excessivas”, por entre apelos internacionais para o diálogo para pôr fim à guerra e as advertências da Guarda Revolucionária sobre uma dura resposta se forem ultrapassadas “linhas vermelhas”.
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos – entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani – e mais de 10.000 feridos, mas desde 05 de março que não atualizam o balanço oficial.
Hoje, no 39.º dia do conflito, a organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situou o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.597, entre as quais 1.665 civis.