A visibilidade digital está a mudar. O surgimento de motores de pesquisa conversacionais baseados em Inteligência Artificial (IA) generativa, como o ChatGPT, Gemini, Copilot e Perplexity, está a substituir listas de links por respostas diretas e recomendações explícitas. Isso força as empresas a mudar suas estratégias de marketing.

Especialistas da Stratesys, uma empresa multinacional de tecnologia especializada em transformação digital, dizem que a competição já não é sobre rankings de resultados, e é sobre a capacidade de uma marca ser reconhecida pela IA como uma fonte confiável.

Os números de 2026 mostram uma tendência preocupante para os produtores de conteúdo: na União Europeia, 59,7% das pesquisas no Google agora terminam sem cliques. Para cada 1.000 pesquisas, apenas 374 geram tráfego para a web aberta.

Tiago Lopes Duarte, Managing Partner da Stratesys Portugal, diz que “estamos a passar de um modelo de resultados para um de aconselhamento”, acrescentando que “quando a IA responde, ela decide quem entra na conversa e quem fica de fora. A IA não inventa marcas, ela as filtra, afetando diretamente as decisões em contextos B2C e B2B.”

Este novo cenário está a impulsionar a evolução das estratégias de posicionamento para aquilo que se designa por AEO (Answer Engine Optimization), refere a Stratesys.

“Trata-se de uma abordagem que vai além do ranking e que se centra no desenvolvimento de conteúdos preparados para serem interpretados, citados e utilizados por sistemas de IA generativa. O desafio para as marcas já não é apenas atrair cliques, mas estar presentes nas respostas que influenciam diretamente a decisão do consumidor”, acrescenta a empresa.

“A questão-chave hoje é: ‘quando alguém consulta a Inteligência Artificial sobre o meu setor, a minha marca aparece na resposta?’ A pressão associada a esta mudança reflete-se também nas métricas: desde a implementação dos AI Overviews, tem-se observado um cenário em que as impressões crescem (+49%), enquanto o CTR (Click-Through Rate, ou Taxa de Cliques) cai cerca de 30%, segundo análises setoriais.

O impacto já é visível em setores como bancos, seguros e saúde. Dados recentes indicam que o tráfego para sites bancários de fontes de IA generativa aumentou 1.200% entre julho de 2024 e fevereiro de 2025.

Tiago Lopes Duarte alerta para a urgência dessa adaptação: “A visibilidade conversacional é uma realidade atual. As marcas que não trabalharem ativamente nesse ambiente correm o risco de serem ignoradas. Nesta nova lógica, só existem as marcas que a IA reconhece e recomenda.”

Para ser citada pela IA, uma marca precisa de consistência semântica. Ou seja, clareza sobre suas áreas de especialização. Precisa de validação por fontes externas, não apenas canais próprios e de credibilidade algorítmica: Ou seja, dados estruturados para que a IA possa sintetizar informações com confiança.