A regulamentação do acesso de menores às redes sociais que se está a observar em vários países, incluindo em Estados-membros como Portugal, Espanha e França, representa uma ameaça óbvia para a reputação e para o modelo de negócio das empresas que detêm essas plataformas e esse sentimento tem tido repercussões no mercado de ações, tanto no sentimento dos investidores como na avaliação das perspetivas futuras.

Perante esta situação, as Big Tech terão de implementar uma transformação estrutural dos modelos de negócio. O futuro exigirá um equilíbrio entre proteção de menores, privacidade e viabilidade económica, sendo que a harmonização internacional das leis é essencial para evitar a fragmentação regulatória.

Além dos avanços legislatórios referente à limitação do uso das redes sociais, outros fatores estão a pesar na performance das empresas tecnológicas, como a perspetiva das taxas de juro, resultados empresariais e gastos de Capex, questões geopolíticas, etc.

Neste momento, a empresa mais penalizada pelo mercado parece ser a Oracle com quedas expressivas desde o início do ano (cerca de -18,8%), posteriormente a META com -3.93% e de seguida a Alphabet com -2.59%.

É bastante visível que o mercado está a antecipar o impacto das novas medidas regulatórias nos lucros, margens e receitas destas empresas no futuro. Ainda assim, é importante lembrar que as quedas nas tecnológicas têm sido transversais, pelo que não podemos correlacionar exclusivamente estas quedas com a legislação de proteção de menores.

Tudo isto acontece numa altura em que as três empresas mencionadas estão a investir milhares de milhões de dólares em infraestrutura para desenvolvimento de sistemas de IA poderosos. A queda de receitas proveniente da legislação aplicada em diferentes países poderá pesar também sobre estes investimentos.

Impacto nas empresas de Tecnologia

● Para a META (Facebook/Instagram), as novas legislações representam uma ameaça significativa ao modelo de negócio baseado em publicidade direcionada. Análises da Capstone estimam que um framework nacional de verificação nos EUA poderia ameaçar até 18% da receita. A empresa reportou o bloqueio de mais de 330.000 contas no Instagram devido a idade inadequada e enfrenta processos por danos à saúde mental de jovens.

● Simultaneamente, a ByteDance (TikTok) encontra-se sob pressão máxima. Acusada pela UE de “design viciante”, enfrenta multas potenciais de €9,3 mil milhões. Nos EUA, a Comissão Federal de Comércio (FTC) acusa a plataforma de permitir conscientemente o acesso de menores de 13 anos. No início deste ano, o TikTok já anunciou novas tecnologias para detetar a idade na Europa, antecipando requisitos regulatórios.

● A Alphabet (Google), com histórico de multas recordes ($170 milhões em 2019), implementou sistemas de verificação de idade baseados em IA que analisam comportamentos para identificar menores. A empresa enfrenta processos conjuntos com a META na Califórnia sobre algoritmos viciantes.

● A Oracle ocupa uma posição singular como parceira tecnológica do TikTok nos EUA e fornecedora de soluções de compliance. Responsável pela auditoria dos algoritmos da plataforma chinesa, a Oracle desenvolve tecnologias de identidade digital e verificação de idade, capitalizando num mercado de compliance estimado em milhares de milhões.

Os custos de compliance incluem investimentos em infraestrutura, despesas legais e perdas de receita publicitária. Especialistas estimam que o cumprimento integral das legislações globais custará às grandes plataformas centenas de milhões de euros anualmente. Assim, as grandes empresas tecnológicas enfrentam duas ameaças às suas contas:
• Por um lado, há uma quebra de receita derivada da perda de utilizadores ativos;
• Por outro lado, há um aumento de custos derivado ao compliance para garantir que a nova legislação não seja violada.