“Todos, todos, todos”. António José Seguro bebeu das palavras do Papa Francisco para prometer que vai unir o país, após uma vitória histórica na segunda volta das eleições presidenciais.

Tornou-se no presidente com mais votos em democracia, batendo a reeleição de Mário Soares em 1991.

Foi mesmo uma onda segurista que varreu o país de norte a sul. António José Seguro obteve uma vitória retumbante com 67% dos votos, mais de 3,48 milhões de votos. André Ventura obteve mais de 33%, com mais de 1,7 milhões de votos.

Seguro venceu em todos os distritos do país e em todos os concelhos, à exceção de Elvas (Portalegre) e de São Vicente (Madeira).

Na primeira volta, António José Seguro tinha vencido nos concelhos mais ricos e com maior peso de imigrantes. E tinha empatado com André Ventura nos concelhos com menor poder de compra e com mais crime.

Mas tudo mudou agora. Olhando para os 10 concelhos com o PIB per capita mais baixo do país, o vencedor venceu em todos.

Em Penamacor (Castelo Branco), na sua terra natal, António José Seguro obteve 82% face aos 18% de Ventura. Segue-se Baião (Porto) e Celorico de Basto (Braga), com Seguro a atingir 72% em cada. Em Vinhais (Bragança), Vimioso (Bragança) e Nordeste (Açores), com 64% em cada um.

Na Madeira, venceu com menos margem: em Câmara de Lobos Seguro com 50%, Ventura com 50%, uma diferença de 62 votos; na Ponta do Sol (Madeira), Seguro com 52%, Ventura com 48%; em Porto Moniz, Seguro com 58%, Ventura com 42%.

Já Ventura obteve as percentagens mais elevadas na Madeira: Ponta do Sol (48%), Câmara de Lobos (50%) e Porto Moniz (42%).

Em Valpaços (Vila Real), Seguro venceu com 57% com Ventura a obter 42%.

Nos concelhos com maior poder de compra do país, António José Seguro venceu em todos. Obteve vitórias acima dos 70% no Porto e Oeiras (78% em cada), em Lisboa (77%) e em Matosinhos (74%).

Seguem-se Cascais (69%), Sintra (66%) e Loulé (55%).

Já André Ventura obteve as percentagens mais elevadas em Loulé (45%), Sintra (35%) e Cascais (31%).

Analisando os concelhos com mais crimes por cada 100 habitantes, António José Seguro obteve as maiores votações no Porto (78%), Lisboa (77%), Sines (69%) e Loulé, Portimão, Silves, Lagoa e Albufeira, em todas com votações acima dos 50%.

André Ventura obteve as melhores votações neste ranking no Algarve: Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão e Loulé, com percentagens acima dos 45%. As mais baixas tiveram lugar em Lisboa e Porto (23% e 22%).

A votação em Alcácer do Sal foi adiada devido aos temporais.

Esta lista inclui todo o tipo de crimes, numa compilação feita pela plataforma “Criminalidade em Portugal”.

Olhando para os concelhos onde os imigrantes mais pesam na população em Portugal, António José Seguro obteve as maiores vitórias em Cinfães (Viseu) e Odivelas (Lisboa) em ambos os concelhos com 68%. Segue-se Vila do Bispo (Faro) e Aljezur (Faro) com 65% em cada uma e em Odemira (Beja) com 62%.

Seguem-se Almeirim (Santarém), Albufeira (Faro) e Loulé (Faro), onde Seguro teve mais de 51%.

Já André Ventura obteve os melhores resultados neste ranking em Albufeira e em Loulé com 49% e 45%, respetivamente.

Tudo mudou face à primeira volta das presidenciais. Há três semanas, nos concelhos mais pobres houve mesmo um empate, com António José Seguro a ganhar em Penamacor, Baião, Vinhais, Vimioso e Celorico de Basto. Já André Ventura tinha vencido em Câmara de Lobos, Porto Moniz, Ponta do Sol, Nordeste e Valpaços.

Nos concelhos mais ricos, Seguro venceu com vitórias em Lisboa, Oeiras, Matosinhos, Porto, Sintra e Cascais, com Ventura a vencer em Loulé.

Nos concelhos com mais crime, houve empate na altura. André Ventura venceu em Albufeira, Lagoa, Silves, Portimão e Loulé. Seguro venceu em Grândola e Sines, Alcácer do Sal, Lisboa e Porto.

Nos concelhos com mais peso de imigrantes, António José Segurou liderou na altura com vitórias em Ferreira do Alentejo, Cinfães, Odivelas, Almeirim, Aljezur, Odemira e Vila do Bipo. Ventura venceu na altura em Albufeira e Loulé.