
A primeira volta já está. Vamos à análise. Passaram 11 anos, 3 meses e 25 dias — 4130 dias exatos — desde a saída de António José Seguro da liderança do PS. Saiu empurrado por António Costa, apesar da vitória nas eleições autárquicas, considerada pífia. Seguro voltou agora naquele seu estilo de quem usa pantufas de lã virgem de manhã à noite, o homem sem arestas, limado e aprumado, simples, redondo. O genro ideal do antigamente. Para muita gente, como se vê, é o político certo quando tudo parece arder. Seguro é o candidato que podia sentar-se à mesa de qualquer português — rico, pobre ou da classe média — e faria sempre a mesma cerimónia. A força dele é também outra: a única coisa que Ventura pode dizer é que ele é o candidato do socialismo, uma tese fraquita, já que Seguro nunca foi o filho pródigo dos socialistas. Marques Mendes e até Cotrim seriam alvos mais fáceis de atingir. Quanto ao Chega, está forte, o que contrasta com a fraqueza de Luís Montenegro — não esteve à altura do esforço e dimensão política do seu candidato. Não o honrou como Mendes merecia e merece. Uma última nota: António José Seguro agradece não ter o apoio formal do PSD, embora ambicione os votos.