As negociações para a revisão do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT) da MEO e empresas associadas para o ano de 2026 chegaram ao fim, com as oito estruturas sindicais envolvidas a aceitarem a proposta final da operadora após sublinharem que a convergência e a pressão exercida foram fundamentais para demover a empresa das suas posições iniciais.

Para além das componentes financeiras, o novo acordo traz avanços na conciliação entre a vida profissional e pessoal, destacando-se o aumento das férias para 24 dias por ano, a consagração do dia 31 de dezembro como dispensa genérica no ACT e o compromisso de retomar, em maio, a discussão sobre o modelo de carreiras, evolução profissional, grelha salarial e avaliação de desempenho.

No que toca ao impacto financeiro, as medidas aprovadas entram em vigor maioritariamente no segundo semestre de 2026, prevendo-se um aumento salarial de 2,5% para todos os trabalhadores e a fixação do subsídio de refeição em 10,46 euros a partir de 1 de julho.

O acordo garante ainda um salário mínimo na empresa de 970 euros, exceto nas ilhas onde já se aplicam os valores regionais, e prevê 120 movimentos de progressão com efeitos a partir de 1 de outubro.

Cláusula de salvaguarda contra a inflação

Apesar da subscrição do acordo, os sindicatos consideram que os valores alcançados são “limitados perante o custo de vida”. Como tal, as estruturas sindicais enviaram uma declaração à CEO da MEO com uma exigência clara: a reabertura imediata do processo negocial caso a inflação em 2026 ultrapasse significativamente a previsão governamental de 2,1%.

Os sindicatos reforçam que este mecanismo é essencial para evitar a perda real de rendimento num cenário internacional de incerteza, garantindo que o ACT continue a ser um instrumento de “progresso social e solidariedade”.