A partir de 1 de fevereiro, o fosso entre os valores pagos pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS) e pela ADSE aos prestadores convencionados de radiologia agravou-se para quase 50%. Segundo a ANAUDI, este aumento deve-se à recente atualização das tabelas da ADSE em contraste com a estagnação dos valores do SNS, que não são revistos há mais de uma década.
Antes desta atualização, o diferencial já era de 38,5%. A associação sublinha que o atual cenário de 48% de diferença evidencia um “subfinanciamento estrutural” que coloca em causa o acesso a exames radiológicos e de medicina nuclear.
Os associados da ANAUDI asseguram cerca de 7 milhões de exames anuais ao SNS, essenciais para diagnósticos oncológicos e doenças graves, avança a associação.
A Associação Nacional de Unidades de Diagnóstico por Imagem (ANAUDI) adverte mesmo que o subfinanciamento e os elevados custos de licenciamento — que atingem 400 mil euros anuais por unidade — ameaçam a continuidade dos exames de diagnóstico para os utentes do SNS.
“O setor enfrenta custos de contexto asfixiantes”.
Um estudo da associação revela que o licenciamento representa um encargo médio anual de 400 mil euros por unidade repartido entre 70 mil euros em custos diretos (taxas regulatórias, honorários de técnicos de proteção radiológica e auditorias) e 324 mil euros em custos indiretos (perdas decorrentes de atrasos processuais e períodos de inatividade).
“Quando a remuneração se mantém desatualizada há mais de dez anos e a atividade é onerada por custos elevados, prejudica-se o investimento e o diagnóstico em tempo útil”, alerta Eduardo Moniz, Presidente da ANAUDI.
Face ao risco de “rutura” da rede convencionada, já sinalizado em comunicados anteriores da Federação Nacional de Saúde, a ANAUDI exige uma intervenção urgente do Governo. As reivindicações passam pela atualização periódica das tabelas, conforme previsto na lei, e por uma reforma profunda no regime de licenciamento para garantir a simplificação administrativa e a sobrevivência das unidades de imagem.