A UPWind Energy, spin-off da Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP), desenvolveu um gerador portátil de energia eólica de grande altitude usando sistemas aéreos (AWES) para substituir geradores a diesel em locais isolados. A empresa, que nasceu no Centro de Investigação em Sistemas e Tecnologias (SYSTEC), criou um dispositivo que promete eletricidade limpa onde as redes convencionais não chegam.
Os AWES substituem a torre e fundação dos aerogeradores tradicionais por um sistema aéreo leve, capaz de alcançar ventos mais fortes e consistentes a grandes altitudes. “Esta abordagem reduz drasticamente o uso de materiais, simplifica a instalação e permite gerar eletricidade em locais onde as turbinas convencionais não operam”, avança a Faculdade.
Ao contrário das turbinas eólicas tradicionais, que exigem torres pesadas e fundações de betão, o sistema da UPWind Energy utiliza veículos aéreos (AWES – Airborne Wind Energy Systems) ligados ao solo por um cabo. Esta “asa” inteligente consegue alcançar altitudes superiores, onde o vento é mais forte e estável, convertendo a força cinética em eletricidade através de um gerador no solo.
“Queremos oferecer uma solução sustentável, económica e fácil de transportar, capaz de substituir os geradores a diesel que ainda alimentam grande parte das operações fora da rede”, afirma Luís Tiago Paiva, CEO da UPWind Energy desde 2025.
O grande diferencial da startup reside no seu sistema de descolagem e aterragem automáticas para aeronaves de asa fixa. Este avanço, já com pedidos de patente submetidos em 2024, permite que o dispositivo opere de forma totalmente autónoma, eliminando a necessidade de intervenção humana constante.
A equipa, coordenada pelo Professor Fernando Fontes, já é uma referência mundial no setor, integrando a associação Airborne Wind Europe. O prestígio da investigação levará a FEUP a acolher, entre 24 e 26 de junho de 2026, a 11.ª International Airborne Wind Energy Conference (AWEC 2026).
A UPWind Energy posiciona-se agora para a fase de comercialização, focando-se em comunidades remotas sem acesso à rede elétrica, em zonas de catástrofe para apoio rápido a infraestruturas críticas e em atividades económicas isoladas, como mineração ou agricultura de precisão.