O preço da carne bovina tem vindo a aumentar na Europa e em Portugal. Segundo dados da Comissão Europeia temos o 9.º valor mais elevado, sendo que Espanha ocupa o 2º lugar da tabela. Será um preço justo?
A definição de um preço justo é sempre subjetiva, dado que os custos de produção diferem muito entre a exploração intensiva e a extensiva, e mesmo dentro do mesmo modelo de exploração os agricultores não são todos iguais. Atualmente, os preços da carne geram rendimento junto dos produtores, o que não acontecia há demasiado tempo.
Esta subida de preços, contudo, não é apenas uma questão de mercado. Ela reflete desafios estruturais profundos no setor. A escassez de animais para abate e o progressivo abandono da atividade pecuária por parte dos produtores estão a pressionar a oferta, contribuindo para a valorização do produto final. O setor enfrenta uma crise de renovação geracional e de atratividade, com muitos jovens a não seguirem a profissão dos pais, levando ao encerramento de explorações.
Esta dinâmica coloca em risco a sustentabilidade da fileira da carne bovina nacional e a autonomia alimentar, aumentando a dependência de importações. A discussão sobre um “preço justo” torna-se, assim, indissociável da necessidade de políticas que apoiem os produtores, garantam a renovação do setor e estabilizem o mercado a longo prazo.