O presidente norte-americano, Donald Trump, mexeu com os mercados na segunda-feira, depois de ter retaliado com tarifas mais altas, depois do Supremo Tribunal ter anulado as taxas que tinha imposto.
Henrique Valente, analista da ActivTrades Europe, refere que “na sexta-feira, foi anunciada a decisão do Supremo Tribunal dos EUA sobre as tarifas, concluindo que muitas das medidas impostas pela administração Trump eram ilegais, por entender que o presidente não tem autoridade para criar tarifas sem aprovação do Congresso. Esta decisão coloca em causa a base legal de várias tarifas já aplicadas a parceiros comerciais e levanta a possibilidade de pedidos de reembolso por parte das empresas afetadas. No entanto, a Casa Branca reagiu rapidamente, sinalizando a intenção de recorrer a instrumentos alternativos previstos na legislação comercial para manter uma postura protecionista. Talvez por isso, o impacto nos índices americanos foi limitado, uma vez que os investidores interpretaram a decisão como um entrave jurídico e não como uma mudança de orientação da política comercial dos EUA”.
Os analistas da XTB explicam que “caso vá para o Tribunal de Comércio Internacional (CIT), que o remeterá para a Alfândega dos EUA, onde os procedimentos poderão arrastar-se durante anos. Ainda assim, estão em jogo cerca de 180 mil milhões de dólares em potenciais reembolsos. As empresas têm 180 dias para apresentar pedidos de reembolso. Donald Trump começou por impor tarifas temporárias de 10% e depois aumentou-as para 15%”.
“Apesar das novas tarifas impostas por Donald Trump, o défice orçamental dos Estados Unidos continua a ser muito elevado. No entanto, o montante de dinheiro cobrado através de direitos aduaneiros aumentou acentuadamente. O valor de 284 mil milhões de dólares refere-se aos últimos 12 meses para os quais existiam dados disponíveis e abrange todas as tarifas cobradas – não apenas as impostas ao abrigo da IEEPA”, referem. “Embora a importância das tarifas tenha aumentado, estas continuam a ser uma fonte de receitas relativamente pequena quando comparadas com outros fluxos de receitas do Estado”, apontam.
Os analistas salientam ainda que “a situação atual prepara o terreno para disputas de vários anos sobre reembolsos de tarifas e sobre quem tem efetivamente direito a eles”.
O comunicado do presidente deixou os mercados entre ganhos e perdas, com o índice português a escapar às perdas.
Perante esta incerteza, o ouro voltou a subir, tendo atingindo um novo máximo na segunda-feira.
“O metal precioso está a ser sustentado por um aumento da procura por ativos de refúgio, após o Supremo Tribunal dos EUA ter decidido contra a imposição arbitrária de tarifas sobre as importações por parte da administração, decisão que foi seguida pela introdução, pela Casa Branca, de uma taxa global de 15%. Este desenvolvimento está a gerar incerteza e poderá perturbar as cadeias de abastecimento globais, agravando as preocupações persistentes quanto às perspetivas da economia mundial”, afirma Ricardo Evangelista, CEO da ActivTrades Europe.
Para além das tarifas norte-americanas, os investidores têm estado de olho nas negociações estre os Estados Unidos e Irão, cuja escalada para um conflito continua em cima da mesa, o que reforça o apelo ao ouro como ativo de refúgio.
Enquanto o ouro apresenta valorizações, as criptomoedas estão em queda, tendo a bitcoin caído mais de 2% na segunda-feira. Esta descida no mercado das criptomoedas deve-se a “um sério desafio em termos de entradas de capital e envolvimento dos investidores”, refere João Cruz, analista da XTB.