O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país está a considerar “encerrar” a sua operação militar contra o Irão, numa altura em que Teerão e Israel trocaram ataques e os média iranianos reportaram um ataque à instalação de enriquecimento nuclear de Natanz.

Numa publicação na rede social Truth Social, citada pela Reuters, Trump diz que “estamos muito próximos de atingir os nossos objetivos ao considerarmos encerrar os nossos grandes esforços militares no Médio Oriente em relação ao Regime Terrorista do Irão”.

O presidente americano sublinhou que o Estreito de Ormuz — corredor vital por onde passa cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito mundial — deverá ser guardado e patrulhado por outras nações que dele dependem. “Os Estados Unidos não o farão! Se solicitados, ajudaremos esses países nos seus esforços em Ormuz, mas não deverá ser necessário uma vez erradicada a ameaça do Irão”, acrescentou.

A guerra, iniciada a 28 de fevereiro com ataques conjuntos dos EUA e de Israel, entra agora na quarta semana. As mensagens da administração Trump têm sido contraditórias: por um lado, sugere-se o fim das operações com a eliminação da ameaça iraniana; por outro, fuzileiros navais norte-americanos e embarcações de desembarque pesado continuam a ser enviados para a região.

Ataque à central nuclear de Natanz

Os media iranianos noticiaram que forças norte-americanas e israelitas atacaram o complexo de enriquecimento de Natanz, conhecido como Shahid Ahmadi-Roshan, na manhã de sábado. Peritos técnicos afirmaram que não houve fugas radioativas e que os residentes das zonas próximas não correm perigo. Israel declarou desconhecer o ataque, enquanto o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) anunciou que está a investigar o incidente.

Outros desenvolvimentos militares

Israel realizou ataques em Teerão, Karaj (a oeste da capital), Isfahan e Beirute, onde visou a milícia libanesa Hezbollah, apoiada pelo Irão. O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou que o país está “determinado a continuar a liderar o ataque contra o regime terrorista iraniano, decapitando os seus comandantes e neutralizando as suas capacidades estratégicas até que todas as ameaças à segurança de Israel e dos interesses dos EUA na região sejam eliminadas”.

O Irão respondeu com drones contra bases norte-americanas nos Emirados Árabes Unidos e no Kuwait, além de dois mísseis balísticos disparados contra a base militar conjunta EUA-Reino Unido na ilha de Diego Garcia, no Oceano Índico (a cerca de 3800 km de distância), sem atingir o alvo, segundo o Wall Street Journal. Foram ainda reportados ataques a um terminal de passageiros no porto de Bushehr e a um navio de passageiros vazio na ilha de Kharg, principal ponto de exportação de petróleo iraniano.

Sirenes de ataque aéreo soaram em Israel desde o amanhecer, levando milhões de pessoas a refugiarem-se em abrigos, com explosões de interceções no ar, mas sem registo imediato de vítimas.