O UBS decidiu suspender por três anos os resgates de um fundo imobiliário europeu avaliado em 400 milhões de euros, numa medida extraordinária que reflete o aumento da ansiedade dos investidores perante a instabilidade económica global.

O banco suíço confirmou que bloqueou temporariamente os levantamentos do fundo Euroinvest, após um forte aumento dos pedidos de resgate. A instituição explicou que os ativos líquidos disponíveis já não eram suficientes para satisfazer esses pedidos de resgate sem comprometer a gestão normal do fundo.

Segundo a comunicação enviada aos investidores, o fundo — sediado na Alemanha e focado em imobiliário comercial em vários mercados europeus — vai bloquear os resgates por um período máximo de 36 meses. O objetivo é estabilizar a carteira e proteger os investidores que permanecem.

A decisão surge num momento delicado para os mercados financeiros internacionais. A recente escalada do conflito no Médio Oriente, envolvendo operações militares dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, aumentou significativamente a incerteza económica global. Este cenário tem alimentado receios de choques inflacionistas e de políticas monetárias mais restritivas.

Nesse contexto, o Banco Central Europeu já sinalizou a possibilidade de subir as taxas de juro a partir de abril, caso a inflação continue a acelerar. Taxas mais elevadas têm pressionado o setor imobiliário, ao aumentar os custos de financiamento e reduzir o valor dos ativos.

O fundo Euroinvest já enfrentava dificuldades desde 2022, quando a subida das taxas de juro levou a uma reavaliação generalizada do mercado imobiliário europeu. O desempenho tornou-se negativo em 2024 e agravou-se no último ano, com perdas estimadas em cerca de 9% até fevereiro.

Com a deterioração dos retornos, muitos investidores tentaram retirar os seus capitais, criando uma forte pressão de liquidez. Especialistas do setor destacam que este tipo de fundos opera normalmente com reservas limitadas de liquidez, o que os torna vulneráveis quando os pedidos de resgate superam as entradas de capital.

A decisão do UBS evidencia também tensões mais amplas nos mercados privados. Nos Estados Unidos, gigantes financeiros como Ares Management, Apollo Global Management e BlackRock já impuseram restrições a levantamentos em fundos de crédito privado, face a preocupações com a qualidade do crédito e a resiliência económica.

Esta é a primeira grande suspensão de resgates num fundo imobiliário europeu desde o agravamento recente do conflito no Médio Oriente, demonstrando como choques geopolíticos estão a repercutir-se no sistema financeiro.

O UBS afirmou que a medida foi necessária num “ambiente de mercado desafiante”, mas admite que poderá aumentar ainda mais a volatilidade e a incerteza entre os investidores.