O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, assegurou hoje que a Ucrânia não está a perder a guerra contra a Rússia, embora reconheça que o desfecho do conflito permanece incerto e com um custo elevado.
“Não podemos dizer que estamos a perder a guerra, sinceramente, não estamos certamente. A questão é se vamos ganhar, essa é a questão, mas uma questão que tem um preço muito elevado”, declarou Zelensky numa entrevista à agência France-Presse (AFP), a poucos dias do quarto aniversário do início da invasão russa.
O chefe de Estado indicou ainda que as forças ucranianas recuperaram recentemente cerca de 300 quilómetros quadrados no sul do país, no âmbito de uma contraofensiva em curso, informação que a AFP não conseguiu confirmar de forma independente.
A guerra, iniciada a 24 de fevereiro de 2022, constitui o conflito mais grave na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
As negociações diretas entre Kiev e Moscovo, mediadas pelos Estados Unidos, continuam bloqueadas pela exigência russa de que a Ucrânia se retire do Donbass, região industrial no leste do país atualmente quase totalmente sob controlo das forças russas.
Segundo Zelensky, tanto Washington como Moscovo defendem que uma retirada ucraniana do Donbass permitiria pôr termo imediato à guerra, mas o Presidente considera que essa solução favorece os interesses russos.
“Para a Rússia, é uma forma de tomar o Donbass rapidamente sem perder homens”, afirmou, acrescentando que os Estados Unidos pressionam mais Kiev por esta se encontrar “numa posição mais difícil”.
Zelensky reiterou que qualquer eventual concessão territorial deverá ser precedida de garantias de segurança por parte de Washington e acompanhada por uma retirada equivalente das forças russas.
“Se nos retirarmos 10, 20, 30 ou 40 quilómetros, eles também devem retirar”, defendeu Zelensky, argumentando que o Donbass dispõe de importantes linhas defensivas que travam o avanço das tropas russas para o interior do país e sublinhando ainda o elevado custo humano e simbólico de uma eventual retirada, após milhares de mortos na defesa da região.
O Presidente ucraniano insistiu na necessidade de garantias internacionais para evitar futuras invasões, incluindo o eventual destacamento de tropas europeias ao longo da linha da frente após um cessar-fogo.
Do lado russo, o Presidente Vladimir Putin tem reiterado que a Rússia alcançará os seus objetivos pela força caso as negociações diplomáticas não produzam resultados.