Tudo começou em 1999, ano em que o Pantone Color Institute reuniu especialistas de diversas áreas para elegerem a Cor do Ano. Desde então, já fomos brindados com dois tons de amarelo, quatro variantes de laranja, duas de castanho e três variações de roxo, azul e turquesa. Para 2026, a Pantone escolheu, pela primeira vez, uma não-cor. Ou todas as cores. Ou mesmo um código, se usarmos o vocabulário da Pantone: 11-4201. Também conhecido como Cloud Dancer. Detalhe importante: é a primeira vez que um tom de branco ganha esta distinção.
O “Washington Post” cita Leatrice Eseman, diretora executiva do Pantone Color Institute, a propósito desta escolha. É como que um quadro em branco que “se abre a novas aventuras e formas de pensar”. Já Laurie Pressman, vice-presidente do instituto, sublinhou que “é uma cor estrutural que vai bem com qualquer coisa, seja a misturar com cores vivas ou pastéis, funciona sempre”. A escolha, explica a empresa, representa “calma e paz num mundo ruidoso”. Ambas necessárias e em dose elevada, acrescentamos.
Uma escolha inesperada?
“Não é um branco imaculado, não é um branco técnico, não é aquele branco oticamente brilhante quando saímos da pandemia. Este é intencionalmente um branco mais suave, um branco que não foi branqueado, um branco com aparência muito natural”, realça ainda Laurie Pressman.
No geral, as reações foram de surpresa – “Não antecipávamos” –, isto num tom mais sério. Mas o espanto também mereceu um tom mais divertido e descontraído, como aquele que o “Washington Post” usou: “Por esta não esperávamos!”. Não sabemos como reagiu a Fábrica de Cerâmica da Viúva Lamego, ou melhor, a equipa responsável pela criação das cores que fazem da marca um nome de referência intra e extra-muros. Mas imaginamos que tenha sido recebida com total bonomia. Por uma razão muito simples. Até hoje, já criaram 21 tonalidades de branco para o Pritzker português Álvaro Siza Vieira, pelo que estão avant la lettre no que respeita a essa cor (ou não-cor, a doutrina divide-se).
A Pantone alega que equilibra tons quentes e frios na mesma medida. Ou seja, adapta-se a qualquer paleta que esteja ao seu lado. Não é ‘esponja’, pois não absorve as cores ao seu redor. Acima de tudo, como realça Laurie Pressman, “o que interessa é a intenção por trás [da cor]”. Sofisticada, qual o preto, a Cloud Dancer funciona como um elemento universal de ligação. Sem leituras políticas nem sociais. Veremos se a nuvem bailarina escapa a leituras menos cândidas e otimistas. E se, de facto, abre caminho a “novas formas de pensar”.