Só o conheciam da televisão, mas quem vive em Belém demorou pouco até confirmar que Marcelo era “bom vizinho”. Destes dez anos, ficam marcas de alguém que cumprimentava todos, que surpreendia em dias difíceis para o país e que até tinha uma forma específica de comer laranjas. Os locais e as pessoas do quotidiano do “Presidente dos afetos”.
A sua presença tornou-se uma constante na freguesia. Era vê-lo a comprar gelados em momentos de crise política, a servir cafés em estabelecimentos locais ou a fazer operações no multibanco como qualquer outro cidadão. Estes gestos simples, longe do protocolo presidencial, cativaram os residentes e criaram uma ligação única.
Os comerciantes recordam a sua simpatia e acessibilidade. Os vizinhos falam da sua normalidade e do seu hábito de cumprimentar toda a gente. Até os seus pequenos rituais, como a forma peculiar de descascar e comer uma laranja, se tornaram parte da paisagem humana de Belém.
Com o fim do seu mandato, fica a memória de um presidente que fez questão de ser um vizinho presente. A sua ausência é sentida nas ruas que percorria e nos locais que frequentava, deixando para trás um legado de proximidade que marcou a sua presidência.