A Warner Bros abriu um período de negociações de sete dias com a Paramount, até segunda-feira, para lhe permitir melhorar a oferta pelas suas ações e clarificar a fusão proposta, embora continue “totalmente comprometida” com a Netflix.

Paralelamente, convocou uma assembleia de acionistas para 20 de março para votar a proposta de fusão com a Netflix, anunciou hoje em comunicado.

O Conselho de Administração do grupo de cinema e televisão americano Warner Bros Discovery (WBD) continua a recomendar por unanimidade a fusão com a Netflix, aconselhando por isso os seus acionistas a rejeitarem a oferta apresentada pela Paramount Skydance (PSKY).

No entanto, o Conselho da WBD enviou uma carta à PSKY explicando que, no dia 11 de fevereiro, um alto representante da Paramount comunicou verbalmente a um dos seus conselheiros que pagaria 31 dólares por ação se fossem iniciadas conversações para um possível acordo e que esta “não era a sua oferta final”.

Na carta, a WBD informa os executivos da PSKY que a Netflix — com quem tem um acordo de fusão assinado — aceitou conceder à WBD uma dispensa até 23 de fevereiro para dialogar com a Paramount e esclarecer determinados termos do acordo de fusão proposto.

No entanto, adverte a PSKY que continuam “totalmente comprometidos” com a Netflix, embora os convide a apresentar uma proposta vinculativa que ofereça maior certeza e proteção aos acionistas da Warner.

Por sua vez, o presidente da Warner Bros, Samuel A. Di Piazza, afirma que continua a acreditar que a fusão com a Netflix é o melhor para os acionistas da WBD, devido ao “enorme valor que traz”.

Em dezembro passado, o magnata multimilionário Larry Ellison, cofundador da Oracle e principal financiador da oferta através da Paramount Skydance, ofereceu uma garantia pessoal de 40.400 milhões de dólares (cerca de 34.180 milhões de euros) para adquirir a Warner, mas manteve a oferta de adquirir a totalidade da empresa por 30 dólares por cada ação em dinheiro, elevando-a para 108.400 milhões de dólares (91.710 milhões de euros).

A proposta da Paramount surgiu depois de a WBD ter chegado a um acordo preliminar de fusão com a Netflix no início do mês, avaliado em 82.700 milhões de dólares (69.971 milhões de euros), incluindo a dívida.

No entanto, o Conselho de Administração da WBD rejeitou por unanimidade a oferta de aquisição da PSKY, considerando-a “inferior” ao acordo de fusão com a Netflix “em vários aspetos fundamentais”.

Embora, no papel, a oferta da PSKY seja mais alta do que a da Netflix, o CA da Warner considera menos arriscado o acordo com a plataforma de ‘streaming’, entre outros motivos porque teria menores riscos de execução e também regulatórios.

No passado dia 10, a PSKY melhorou a oferta pela WBD e ofereceu aos acionistas do conglomerado um preço de 0,25 dólares por ação por cada trimestre em que a compra não fosse concluída após 31 de dezembro de 2026.

As ações da Warner Bros subiram hoje mais de 2%, antes da abertura do mercado, enquanto as da Paramount Skydance valorizaram quase 3% e as da Netflix subiram ligeiramente.