Os piratas informáticos ligados ao Irão intensificaram os seus ataques depois do início dos ataques israelo-norte-americanos no passado fim de semana, disseram conhecedores israelitas e outros à AFP.

Entre as ações detetadas, pelos especialistas israelitas da empresa de cibersegurança Check Point e dos da Unit 42, está uma tentativa massiva de roubo de identidade (‘phishing’) focado em israelitas, que atribuíram ao Irão.

Os piratas aproveitaram falhas da aplicação ‘Home Front Command’ (Comando da Frente Interna), muito utilizada por fornecer alertas e informações de urgência.

A Check Point afirmou também que detetou acessos dos piratas a câmaras de vigilância interligada, localizadas em Israel, mas também no Qatar, no Barém ou ainda no Koweit.

Gil Messing, da Check Point, considera que “o Irão faz parte dos cinco a sete primeiros países em matéria de ofensivas cibernéticas”, a par de Federação Russa, China e Coreia do Norte.

Porém, James Sullivan, especialista em cibersegurança do centro de reflexão britânica RUSI, alertou que “não se deve sobrestimar o papel do ciber”, porque, compara, “é mais fácil bombardear uma torre de televisão do que fazer um ataque cibernético a uma estação de televisão”.

Por outro lado, a Unit 42 admite que os ataques israelo-norte-americanos causaram uma “degradação significativa das estruturas de comando iranianas”, o que reduziu capacidade dos piratas informáticos.

Apesar de ter detetado “ataques informáticos moderados ligados aos Guardas da Revolução”, Adam Meyers, da empresa norte-americana CrowdStrike, realçou “um recrudescimento das atividades reivindicadas por grupos de piratas militantes alinhados com o Irão”.

A Unit 42 diz que os grupos iranianos que segue atacaram esta semana alvos em países como Jordânia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Koweit.

“As organizações ocidentais devem estar em estado de alerta máximo”, recomendou Meyers, porque “estas atividades poderiam superar o quadro dos ativistas e transformarem-se em operações destruidoras”.

Por seu lado, a agência francesa da segurança informática (Anssi) informou hoje que não tinha observado aumento da ameaça cibernética contra a França.