O coordenador da Plataforma Associação Cabo Verde e Diáspora concorda com uma agilização dos processos de legalização de imigrantes em Portugal que queiram trabalhar na reconstrução das zonas afetadas pelas tempestades, mas defende uma fiscalização para evitar abusos.

Rolando Borges, que também é membro do Conselho Nacional para as Migrações e Asilo (CNMA), reagia desta forma às afirmações do presidente da Estrutura de Missão Reconstrução da Região Centro do País sobre uma agilização dos processos de legalização de trabalhadores imigrantes que já se encontram em Portugal e que queiram trabalhar na reconstrução das zonas afetadas.

Em entrevista à Antena1 e ao Jornal de Negócios, Paulo Fernandes revelou que o Governo admite agilizar os processos de “pessoas que em Portugal ainda estão no seu processo de conseguir a sua legalização e que possam estar ligadas ao setor da construção civil”.

“Vamos ver se podemos criar aqui dentro do que é a estrutura de via verde existente, que faz a tributação entre oferta, procura e intervenção, uma via verde especial para todos aqueles que, neste esforço, a partir obviamente dos empregadores, se concentrem naquele território”, referiu.

A agilização deste processo abrangerá os imigrantes trabalhadores na área da construção civil.

Para Rolando Borges, são sempre “boas medidas” as que se propõem realizar uma regularização mais rápida.

Mas ressalvou: “Nós sabemos que esta situação é uma situação que há de ser pontual e também precisaríamos de saber mais informações sobre até quando é que isto era possível e se esta regularização seria normal, ou seja, se as pessoas não ficariam num regime aqui diferente”.

O dirigente associativo quer saber quem é que vai fiscalizar e acompanhar esses processos.

“Nós não duvidamos das boas intenções, mas sabemos que no meio dos processos acontecem coisas que não estavam previstas, depois há mal entendidos, há equívocos e há pessoas que ficam numa situação de limbo”, referiu, acrescentando que é preciso saber se “as pessoas estão a ser bem acompanhadas pelas empresas, se a questão da habitação está a ser assegurada e tudo o resto que de alguma forma é colocado em cima da mesa”.

E deixa a ideia: “Se pudermos observar e dar as nossas opiniões relativamente ao assunto, isso era essencial”.