A guerra no Médio Oriente entrou no 12º dia em alta intensidade, com o Irão a atacar esta quarta-feira pelo menos três navios mercantes no Golfo Pérsico para reafirmar a sua disposição de manter fechado o estratégico Estreito de Hormuz.

“Preparem-se para o petróleo a US$ 200 o barril, porque o preço depende da segurança regional que vocês desestabilizaram”, disse o porta-voz militar iraniano Ebrahim Zolfaqari. O referencial barril Brent está flutuando acima de US$ 90, depois de ter batido quase US$ 120.

Na véspera, os Estados Unidos anunciaram ter afundado 16 navios lançadores de minas marítimas na região. O objetivo, disse o Pentágono, foi o de evitar que os iranianos operassem agora que o grosso da Marinha de Teerão está inutilizado.

Pela estreita rota passam, normalmente, 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do planeta, o que levou a variações brutais no preço das commodities. O Irão militarizou o estreito, distribuindo ao menos 16 bases na sua costa norte e ilhas, e os EUA atacaram pelo menos 10 desses pontos segundo imagens de satélite.

Esta quarta-feira, um dos três cargueiros atingidos, de bandeira tailandesa, teve de ser evacuado devido a um incêndio a bordo perto de Omã. Os outros dois incidentes foram menos graves, e os navios foram levados para portos dos Emirados Árabes Unidos.

O país do Golfo Pérsico é o mais atingido, em volume de ataques do Irão, na guerra. Também nesta quarta-feira, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas durante uma ação com drones junto ao aeroporto de Dubai, que opera de forma parcial.

No Bahrein, o aeroporto internacional também foi alvo de ações. O reino foi particularmente atingido por abrigar a estação naval da Quinta Frota dos EUA, que teve um radar avaliado em US$ 1,1 bilhão destruído no começo da guerra, em 28 de fevereiro.

Com isso, sob forte pressão militar dos EUA e de Israel, o Irão muda o foco para o maior temor global em relação à guerra, a instabilidade no comércio de energia. Se não pode derrotar as forças mobilizadas contra si, Teerão tem vários recursos para causar caos neste setor.

Após o Brent chegar a quase US$ 120 esta segunda-feira, declarações do presidente Donald Trump dando a entender que o conflito será curto levaram os preços a níveis em torno de US$ 90, mas com forte oscilação.

Nesta quarta-feira, tanto Israel quanto o Irão foram em sentido contrário do americano. O ministro Israel Katz (Defesa) disse que o conflito irá continuar “sem qualquer limite de tempo”, enquanto a poderosa Guarda Revolucionária do regime de Teerão reafirmou que lutará “até a sombra a guerra ser levantada”.

Alvo de ataques na noite de terça-feira, a Arábia Saudita está especialmente preocupada, já que 90% de sua produção é escoada por Hormuz. Segundo a estatal Saudi Aramco, o prolongamento do conflito pode levar a uma “tragédia”, enquanto o país tenta ampliar o funcionamento de oleodutos rumo ao mar Vermelho.

Os EUA parecem atentos a esse ponto, talvez de olho na hipótese hoje improvável de uma acomodação com o Irão após a guerra. Até aqui, nem os americanos, nem os israelitas atacaram a ilha de Kargh, que concentra a infraestrutura para exportar de 80% a 90% do petróleo iraniano no golfo.

Entra na equação a pressão da China, com quem Trump trava duras negociações comerciais. Pequim comprou em 2025 quase 15% do seu petróleo, a preço com desconto, de Teerão. A destruição dos terminais de escoamento da commodity impactaria duramente a economia dos rivais, dando assim uma carta a mais para os americanos.

A madrugada e a manhã seguiram violentas do lado de quem começou a guerra. Os EUA promoveram diversos ataques, alguns com bombardeiros saídos de bases antes vetadas para o seu uso no Reino Unido, visando principalmente a infraestrutura de mísseis balísticos do Irão.

Os ataques ao país persa já deixaram, segundo o governo, mais de 1.300 mortos. O Crescente Vermelho, órgão humanitário análogo da Cruz Vermelha em países islâmicos, disse esta quarta-feira que 19.734 edifícios civis foram danificados no Irão, incluindo 77 centros médicos e 65 escolas.

Já Israel anunciou nesta manhã uma nova onda de ataques a Teerão e a posições do grupo libanês Hezbollah em Beirute. O Hezbollah, aliado da teocracia iraniana, lançou ataques contra o norte e centro do Estado judeu.

Pelo menos 570 pessoas já morreram no país árabe, cujo governo viu fracassar a tentativa de mediar o conflito entre os fundamentalistas xiitas e o Estado judeu.