Uma semana depois do começo da Epic Fury, estamos longe de lhe ver o fim, apesar do que dizem Trump e o Secretário da Defesa, que gosta de se intitular Secretário da Guerra. O objetivo do ataque varia: um dia é evitar que o Irão disponha de uma arma nuclear, outro dia é destruir a sua capacidade militar, outro é substituir o regime, outro é all of the above.

A duração da guerra também varia, de alguns dias a quatro semanas ou, diria Buzz Lightyear, até ao infinito e mais além. Os iranianos responderam à letra: escolheram para líder supremo o filho de Khamenei, o único que Trump declaradamente vetou. Por que razão decidiu o homem atacar o Irão, se não tem planos para o que fazer a seguir, só wishful thinking?

Trump enfrenta uma situação complexa nos EUA. A sua popularidade está na casa dos 40% (até a Fox só lhe dá 41%) e a rebelião interna começa a fazer ondas em Mar-a-Lago; os republicanos só têm uma maioria de 4 deputados na House, menos que os 6 no Senado.

Diga-se de passagem que a primeira derrota significativa de Trump não foi no Supremo, com a decisão contra as tarifas – já a 11 fevereiro a Câmara dos Representantes votou 219-211 contra as tarifas ao Canadá, com 6 republicanos ao lado dos democratas apesar de Trump ameaçar que “qualquer republicano que votar contra as tarifas sofrerá as consequências nas eleições.” Antes disso o Senado já tinha votado contra tarifas ao Canadá (4 Rep. votaram a favor) e tarifas ao Brasil (5 Rep.). Mais, a economia americana perdeu 92 mil empregos o mês passado, contra o que se esperava. A situação é grave.

Portanto, embriagado com a vitória na Venezuela, Trump lançou os dados: uma campanha militar poderia recompor a sua imagem, até porque Cuba também está numa posição fraca. E quebrar o Irão permite a Trump estar na mó de cima na cimeira com Xi em abril, passando de fraqueza pela dependência em terras raras e chips para força pelo controlo do mercado e rotas energéticas. Mas teve mais olhos que barriga. Cerca de 70% dos americanos está contra uma intervenção que ninguém (a não ser Trump) vê quando e como acabará.

Agora o Mundo está numa situação complexa. Os 5% do Irão na produção mundial de petróleo transformam-se em 20% no estreito de Ormuz; Trump não pode usar os curdos por pressão da Turquia; e está a fumar good stuff quando diz que o preço do petróleo, que domingo ultrapassou 100 dólares por barril, é um baixo preço a pagar. Se os americanos concluírem que ele é um ativo tóxico, teremos uma epic fury em novembro.