O Banco Central do Japão (BoJ) decidiu subir as taxas de juro em 25 pontos base, esta terça-feira, para 1%, o nível mais elevado em 31 anos. A decisão teve sete votos favoráveis e um voto a defender a manutenção das taxas de juro. Esta é a primeira subida desde dezembro e a primeira vez desde 1995 que a taxa chega a 1%. O banco central asiático confirmou também que iria abrandar o ritmo de compra de obrigações em cerca de 200 biliões de yen (mil milhões de euros) por trimestre, assinalou a CNBC.
O estrategista da região Ásia-Pacífico da J.P. Morgan Asset Management, Tai Hui, citado pela CNBC, apesar de sublinhar que esta subida dos juros já ser esperada, destacou que o grande apoio do banco central a este aumento indica que o conselho está mais atento às “preocupações com a inflação do que com o crescimento”.
Tai Hui referiu também que a reabertura do Estreito de Ormuz deve diminuir a incerteza sobre os choques de oferta para o Japão, sublinhando que a reabertura deste canal também deu ao banco central asiático “mais confiança” para retomar a normalização da política monetária.
No domingo, as forças norte-americanas e iranianas confirmaram a existência de um entendimento para colocar fim ao conflito. Isto fez as bolsas subirem, os preços do petróleo caírem, e o ouro e a prata subirem, no decorrer da sessão de segunda-feira. No âmbito desse acordo seria reaberto o Estreito de Ormuz num prazo de 30 dias e colocado um fim ao bloqueio dos Estados Unidos ao Irão. Além disso, foi estabelecido um prazo de 60 dias de negociações entre os dois países, prolongando-se o cessar-fogo.
O banco central asiático destacou também a influência que a subida do petróleo, por via do conflito no Médio Oriente, tem tido na economia japonesa.
“No entanto, a transmissão dos preços decorrentes da subida do crude tem ocorrido a um ritmo relativamente acelerado nas transações entre empresas, o que pode estender-se a um aumento dos preços no consumidor numa vasta gama de artigos”, referiu o BoJ, em declarações transcritas pela CNBC.
E já há quem acredite que a subida das taxas de juro deve continuar até 2027.
“Com o Banco a alertar para os riscos ascendentes para a inflação, esperamos que volte a aumentar as taxas na sua reunião de outubro e as eleve para 2,0% até ao final do próximo ano”, avançaram os analistas da Capital Economics, em nota transcrita pela publicação financeira Investing. A previsão destes analistas é que o BoJ continue a subida das taxas de juro deixando-as nos 1,75% até final de 2027.