O Ministério do Ambiente veio esclarecer as declarações da ministra onde falava sobre crise energética. Segundo o Ministério “importa distinguir claramente a situação entre gás natural e eletricidade”.

“A Ministra do Ambiente e Energia referiu, esta sexta-feira, em conferência de imprensa, que a subida dos preços da energia nos está a aproximar de uma eventual declaração de crise energética a nível europeu: ‘estamos a ficar perto dos critérios para declarar uma crise energética'”, lembrou.

No entanto, para o Ministério “importa distinguir claramente a situação entre gás natural e eletricidade”.

No caso do gás natural, “registou-se um agravamento muito significativo e recente das condições de mercado. O preço do gás encontra-se atualmente cerca de 85% acima dos níveis verificados no início da guerra no Médio Oriente, a 27 de fevereiro de 2026, refletindo perturbações relevantes no fornecimento global, nomeadamente constrangimentos em infraestruturas de produção no Qatar, num contexto de elevada tensão geopolítica”.

“Esta evolução rápida explica a alteração do enquadramento de um dia para o outro e aproxima o cumprimento dos critérios europeis para uma eventual declaração de crise neste setor”, apontou o Ministério.

Já no setor da eletricidade, segundo o Ministério “o cenário é distinto”. “Como afirmou, na quinta-feira, o Ministro da Presidência, “no setor elétrico ainda se está longe dos limiares da crise””, recordou.

“Esta realidade decorre, em grande medida, da forte incorporação de energias renováveis no sistema elétrico nacional, tal como sublinhado pela Ministra do Ambiente e Energia, “no nosso caso, o preço da eletricidade está relativamente protegido porque temos cerca de 80% de renováveis”, o que tem permitido mitigar o impacto da volatilidade dos mercados internacionais”, sublinhou.

O Ministério acrescentou ainda que “os critérios para essas declarações decorrem de diretivas europeias distintas — uma para o gás e outra para a eletricidade — e implicam condições cumulativas, como níveis de preços muito elevados face à média dos últimos anos e a expectativa de que se mantenham por um período prolongado”.