A Bolsa de Nova Iorque fechou com ganhos moderados nesta segunda-feira. O índice de referência S&P 500 subiu 0,44% para 6.611,83 pontos, enquanto o tecnológico Nasdaq Composite ganhou 0,54% para 21.996,34 pontos e o industrial Dow Jones somou 0,36% para 46.669,88 pontos.
Isto num dia marcado pelo fecho dos mercados bolsistas europeus, incluindo o PSI, devido à Páscoa.
Os índices norte-americanos mostraram cautela após os ganhos da semana passada e no meio da crescente incerteza geopolítica.
A bolsa dos Estados Unidos abriu a sessão a subir depois de a Reuters ter avançado que estaria a ser negociado um cessar-fogo entre os EUA e o Irão, mediado pelo Paquistão. O “acordo de Islamabad”, como está a ser designado, implicaria um compromisso por parte do Irão de não desenvolver armas nucleares, em troca de uma redução das sanções internacionais.
Esta foi apenas a mais recente tentativa de desescalada depois de durante o fim de semana prolongado, o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar ataques de larga escala caso o Irão não aceite um cessar-fogo até terça-feira. No entanto não durou muito pois Trump voltou a ameaçar Teerão, assinalando que “o país inteiro pode ser destruído apenas numa noite e isso pode acontecer amanhã à noite”, aludindo ao prazo dado – marcado para a 01h00 de quarta-feira (hora de Lisboa) – para a destruição das centrais energéticas e outras infraestruturas do país, caso o estreito de Ormuz não seja reaberto à navegação.
Este cenário continua a pressionar o preço do petróleo bruto. O Brent subiu 0,72% para 109,79 dólares e o West Texas Intermediate avançou 1,04% para 112,68 dólares.
Entretanto nas últimas 24 horas, o ministro dos Negócios Estrangeiros da China conversou com o ministro dos Negócios Estrangeiros russo que conversou com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão.
Os três estão agora ativamente empenhados em torno de uma proposta de acordo denominada Acordo de Islamabad, com o Paquistão como principal intermediário entre os EUA e o Irão. Este já não é um esforço de mediação regional. São os EUA, a China e a Rússia a puxar no mesmo sentido, ao mesmo tempo.
Entretanto, o CEO da JP Morgan, Jamie Dimon, publicou a sua carta anual aos acionistas, na qual alerta que a guerra traz turbulências que podem manter a inflação elevada e elevar as taxas de juro mais do que o esperado: “Enfrentamos também a perspetiva de interrupções significativas e contínuas nos preços do petróleo e das matérias-primas, juntamente com a reconfiguração das cadeias de abastecimento globais, o que pode levar a uma inflação mais persistente e, em última análise, a taxas de juro mais elevadas do que os mercados esperam atualmente”.
Além disso, os investidores reagiram hoje ao relatório de emprego de março, divulgado na sexta-feira, dia em que Wall Street esteve encerrada devido à Sexta-Feira Santa. A economia dos EUA criou 178.000 empregos, muito acima dos 59.000 esperados, enquanto a taxa de desemprego caiu para 4,3%, embora em parte devido a uma queda na participação da força de trabalho.
Apesar da robustez dos dados, persistem dúvidas sobre a situação subjacente do mercado de trabalho.
“Embora o número de empregos não agrícolas tenha surpreendido pela positiva, o relatório de emprego de Março não altera a nossa avaliação de que os riscos de queda para o mercado de trabalho aumentaram devido aos conflitos entre os EUA e Israel e com o Irão. O nosso cenário base continua a pressupor que a Reserva Federal irá ignorar o pico temporário da inflação causado pela subida dos preços do petróleo e cortará as taxas de juro duas vezes este ano para evitar uma possível deterioração do mercado de trabalho”, escreveram os estrategas da Oxford Economics.