A falta de professores tem sido agravada pela elevada desistência nos cursos. Segundo declarações do presidente da Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (Andaep), Filinto Lima, ao Jornal Económico, este problema deve-se ao facto de que o Governos à direita e à esquerda não investiram o suficiente na carreira docente.

“Nós sabemos que a escassez de professores é um problema estrutural de Portugal, da Europa e do Mundo. E porque chegamos a esta situação? Chegamos porque os sucessivos Governos desprezaram a carreira docente, quer o Governo de esquerda, quer o Governo de direita”, disse Filinto Lima.

Para o dirigente da Andaep, os antigos governantes “não deram atenção a uma profissão mais importantes do mundo”. “E chegamos a esta situação”.

Dados divulgados pelo Diário de Notícia, dão conta que projeções apontam para quebra significativa do número de docentes até 2035, podendo atingir 55% na educação pré-escolar; 29%, no 1.º ciclo; 42%, no 2.º ciclo, e 39% no 3.º ciclo e ensino secundário. Mesmo com o aumento recente no número de inscritos em cursos de formação (11% entre 2020/2021 e 2022/2023) os diplomados continuam a ser insuficientes e registam-se taxas de desistência entre 28% e 35%.

Filinto Lima apontou que “os nossos jovens querendo seguir a carreira docente não seguem porque a carreira docente, neste momento, pode não ter futuro e preferem ir para outras profissões onde ganham mais, onde a progressões são mais rápidas”.

O presidente da Andaep acredita que as consequências destas desistências do curso de docente será “não termos um número suficiente para a sala de aula, até porque, por mês, centenas de professores estão a reformar-se”

“A solução para isto é valorizar a carreira docente. Desde logo com o aumento dos vencimentos para todos os professores que estão na carreira. Porque tendo em conta a tamanha responsabilidade que é ensinar, os professores de facto não ganham bem, ganham mal”, explicou.

Outra solução, seria “diminuir a imensa carga burocrática que reina nas escolas, quer em termos de papelada, quer em termos de plataformas”. “Os professores perdem, neste momento, perdem muitas horas de trabalho com questões administrativas”.

Filinto Lima defendeu ainda que se deve “acabar com a avaliação de desempenho docente”.