A Comissão Europeia cortou as previsões de crescimento este ano para 1,1% na UE e 0,9% para a zona euro, ou seja, uma revisão em baixa de 0,3 pontos percentuais (pp) em relação às anteriores projeções. Bruxelas cita a guerra iniciada pelos EUA e Israel contra o Irão como o principal motivo desta atualização em baixa, dado o choque energético que causou no Velho Continente.

As previsões macroeconómicas divulgadas esta quinta-feira pela Comissão apontam para um crescimento mais fraco do que anteriormente esperado este ano e no próximo, fruto do choque energético que afeta atualmente a economia global e, por arrasto, a Europa. A zona euro deve avançar agora 0,9% em 2026 e 1,2% no próximo, isto quando, no anterior exercício de projeções, se antecipava 1,2% e 1,4%, respetivamente.

A guerra no Médio Oriente levou a uma crise energética global e reacendeu as pressões inflacionistas, o que explica a revisão em alta de 1,1 pp na inflação da zona euro este ano, que deve assim chegar a 3% – ou seja, também bem acima do objetivo de médio prazo do Banco Central Europeu (BCE) para este indicador.

Em 2027, Bruxelas vê a inflação a recuar para 2,3%, ou seja, menos 0,3 pp do que previsto no outono.

A Comissão explica que este é “o segundo choque [energético] em menos de cinco anos” a atingir o bloco europeu, o que tem pressionado as finanças das famílias e das empresas. Como tal, a confiança dos consumidores caiu para mínimos de 40 meses, embora “o consumo deva permanecer como o principal motor de crescimento”.

“O conflito no Médio Oriente desencadeou um choque energético de larga escala, testando ainda mais a Europa à medida que navega num contexto geopolítico e comercial já volátil”, diz o Comissário para a Economia e Produtividade, Valdis Dombrovskis, que pede ainda que os decisores “aprendam com as lições do passado, mantendo o apoio orçamental temporário e dirigido”.

[notícia atualizada às 11h48]