O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, mediador entre EUA e Irão, anunciou que se reuniu este sábado com o vice-presidente norte-americano, JD Vance, no início das negociações para pôr fim ao conflito no Médio Oriente, em Islamabad.

“Com o início das Conversações de Islamabad hoje, o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, reuniu-se com sua excelência JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos da América”, informou o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado citado pelas agências internacionais, sem especificar como as conversações irão prosseguir.

O enviado especial dos Estados Unidos (EUA), Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, também estiveram presentes, acrescentou a mesma nota.

Horas antes, a televisão iraniana noticiou que também a delegação de Teerão se encontrou com Shahbaz Sharif. De acordo com a mesma fonte, citada pela agência France-Presse (AFP), os detalhes das conversações entre as partes, cuja agenda e formato ainda não são conhecidos, serão definidos após esta reunião.

O Irão decidirá depois se pretende ou não iniciar as negociações este sábado, afirmou a agência de notícias iraniana Fars, acrescentando que foram trocadas “novas mensagens” entre o Irão e os Estados Unidos na sexta-feira à noite. Teerão afirma ainda ter estabelecido duas pré-condições para as negociações: “um cessar-fogo no Líbano”, onde Israel trava uma campanha sangrenta contra o Hezbollah (apoiado pelo Irão), e o “desbloqueio dos ativos iranianos”.

EUA e Irão iniciam este sábado negociações de paz, em Islamabad, dominadas pelo fim do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica. Além do fim daquele bloqueio, o programa nuclear iraniano e a produção de mísseis de longo alcance também estão no centro das conversações.

Teerão exigiu que o cessar-fogo abranja também os confrontos entre Israel e o grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah e o desbloqueio dos ativos do país antes de se sentar à mesa das negociações.

Israel e Estados Unidos consideraram que o Líbano não está abrangido pelo cessar-fogo em vigor, apesar de a mediação paquistanesa ter dito o contrário e Teerão inclua os ataques de Israel no país vizinho nas violações da trégua que diz terem sido já cometidas.

O primeiro vice-presidente do Irão afirmou, entretanto, que se os Estados Unidos derem prioridade aos seus interesses em vez dos de Israel pode haver acordo. Já o presidente do parlamento iraniano, Mohamad Baqer Qalibaf, que encabeça a delegação do seu país nas negociações, afirmou que mantém a “boa vontade” de negociar, mesmo que tenha realçado a sua absoluta falta de confiança nos Estados Unidos.

Iranianos em Lisboa pedem que a guerra continue

Dezenas de iranianos reuniram-se este sábado em frente da embaixada norte-americana em Lisboa para pedir o reatamento da guerra até que se verifique uma verdadeira mudança de regime no Irão, quando se iniciaram as negociações entre Teerão e Washington.

Cerca de 50 iranianos de várias regiões do país juntaram-se para transmitir aos Estados Unidos que o atual regime iraniano continuará a ser uma ameaça ao povo, admitindo a possibilidade de continuidade da guerra desde que seja consumado o fim da República Islâmica.

Estados Unidos e Irão acordaram, na terça-feira, um frágil cessar-fogo de duas semanas e enviaram delegações ao Paquistão para negociações que deverão decorrer ao longo do fim de semana.

Artigo atualizado às 15:14 com informação sobre iranianos em Lisboa