A delegação de JD Vance encontrou-se este sábado no Paquistão com o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, de acordo com o New York Times, que cita dois responsáveis iranianos e um responsável da Casa Branca.

Foi a reunião presencial de mais alto nível entre os Estados Unidos e o Irão desde a Revolução Islâmica de 1979, destaca o jornal norte-americano. O encontro está a ser mediado pelo primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif.

Antes, Shehbaz Sharif tinha-se reunido individualmente com cada uma das delegações para acertar a agenda e a metodologia. “Com o início das Conversações de Islamabad hoje, o primeiro-ministro paquistanês, Muhammad Shehbaz Sharif, reuniu-se com sua excelência JD Vance, vice-presidente dos Estados Unidos da América”, informou o gabinete do primeiro-ministro, em comunicado citado pelas agências internacionais, sem especificar como as conversações iriam prosseguir.

O enviado especial dos Estados Unidos (EUA), Steve Witkoff, e Jared Kushner, genro do Presidente norte-americano, Donald Trump, também estiveram presentes, acrescentou a mesma nota.

Horas antes, a televisão iraniana noticiou que a delegação de Teerão se encontrou igualmente com Shahbaz Sharif. De acordo com a mesma fonte, citada pela agência France-Presse (AFP), os detalhes das conversações entre as partes, cuja agenda e formato seriam definidos após esta reunião.

Teerão tinha estabelecido duas pré-condições para as negociações: “um cessar-fogo no Líbano”, onde Israel trava uma campanha sangrenta contra o Hezbollah (apoiado pelo Irão), e o “desbloqueio dos ativos iranianos”.

Um dos pontos de discussão centrais diz respeito ao fim do bloqueio do Estreito de Ormuz, por onde passava 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo antes da guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel contra a República Islâmica. Além do fim daquele bloqueio, o programa nuclear iraniano e a produção de mísseis de longo alcance também estão no centro das conversações.

Teerão exigiu que o cessar-fogo abranja também os confrontos entre Israel e o grupo xiita libanês pró-iraniano Hezbollah e o desbloqueio dos ativos do país antes de se sentar à mesa das negociações.

Israel e Estados Unidos consideraram que o Líbano não está abrangido pelo cessar-fogo em vigor, apesar de a mediação paquistanesa ter dito o contrário e Teerão inclua os ataques de Israel no país vizinho nas violações da trégua que diz terem sido já cometidas.