As mais recentes e poderosas ferramentas de inteligência artificial, em particular o novo modelo Claude Mythos desenvolvido pela Anthropic, estão a gerar sérios alertas entre reguladores e líderes do setor financeiro global.

Segundo o FT, altos responsáveis do sector financeiro internacional alertaram que os mais recentes modelos de IA desenvolvidos pelas empresas tecnológicas americanas podem ameaçar o sistema bancário mundial, expondo fragilidades nas defesas cibernéticas das instituições financeiras. Enquanto os ministros das Finanças, os banqueiros centrais e os reguladores se reuniam esta semana em Washington para as reuniões de primavera do FMI e do Banco Mundial, as discussões foram dominadas pela preocupação com o mais recente modelo de IA desenvolvido pela startup Anthropic, sediada em São Francisco. “É um desafio muito sério para todos nós”, disse Andrew Bailey, governador do Banco de Inglaterra e presidente do Conselho de Estabilidade Financeira, o organismo regulador global. “Lembra-nos da rapidez com que o mundo da IA avança.”

Autoridades americanas, incluindo o Secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o presidente da Reserva Federal, Jerome Powell, convocaram recentemente os principais executivos de bancos sistemicamente importantes para discutir os riscos cibernéticos sem precedentes que esta tecnologia pode representar, avançou o Financial Times.

Segundo relatos, o modelo Mythos da Anthropic tem capacidade para identificar e explorar vulnerabilidades em sistemas operativos e browsers amplamente utilizados, o que poderia facilitar ataques cibernéticos sofisticados contra infraestruturas financeiras críticas.

O encontro de emergência ocorreu em Washington, com a presença de líderes de instituições como JPMorgan Chase, Citigroup, Bank of America, Wells Fargo, Morgan Stanley e Goldman Sachs, segundo o FT.

Jamie Dimon, CEO da JPMorgan Chase, reforçou estas preocupações na carta anual aos acionistas e numa conferência de resultados, afirmando que a IA “tornou as coisas piores” ao revelar um maior número de vulnerabilidades que precisam de ser corrigidas. “A cibersegurança continua a ser um dos nossos maiores riscos”, alertou Dimon, destacando que os riscos se estendem para além de um único banco devido à interconexão do sistema financeiro global.

A Anthropic decidiu limitar o acesso ao modelo Mythos precisamente devido aos riscos elevados que ele próprio identifica. Apesar disso, vários grandes bancos já começaram a testar a ferramenta – não para atacar, mas para detetar e reforçar as suas próprias defesas antes de uma eventual utilização mais ampla.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) também emitiu avisos recentes, apelando aos governos para que monitorem de perto as ameaças da IA ao sistema financeiro. O relatório do FMI sublinha que falhas coordenadas ou em cascata nas infraestruturas de pagamentos poderiam ter consequências económicas imediatas, desde a disrupção do comércio até à perda de confiança nos sistemas financeiros.

Reguladores no Reino Unido e no Canadá também já iniciaram discussões semelhantes sobre o impacto potencial no seu setor bancário. As autoridades americanas incentivaram os bancos a usar o próprio Mythos de forma controlada para identificar fraquezas nos seus sistemas, numa corrida contra o tempo para reforçar a resiliência antes que atores maliciosos possam explorar estas novas capacidades.

Especialistas em cibersegurança consideram que este tipo de IA representa um salto qualitativo na sofisticação dos ataques possíveis, tornando as defesas tradicionais menos eficazes. Enquanto a IA pode, no futuro, ajudar a fortalecer a proteção, o momento atual é visto como particularmente delicado, com o potencial de expor o sistema bancário mundial a riscos sistémicos.

As instituições financeiras estão agora a reavaliar as suas prioridades, elevando a cibersegurança ao mesmo nível das tradicionais preocupações de risco financeiro.

As próximas semanas serão decisivas para determinar se o setor conseguirá antecipar-se a estas novas ameaças ou se enfrentará um cenário de vulnerabilidade sem precedentes.