O Banco de Portugal revelou hoje os dados da Balança de Pagamentos referentes a fevereiro de 2026. No acumulado de janeiro e fevereiro, as balanças corrente e de capital apresentaram um excedente externo de 246 milhões de euros, o que representa uma deterioração de 488 milhões de euros face ao mesmo período de 2025.

No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, verificou-se uma deterioração em vários dos principais componentes. O défice da balança de bens aumentou em 209 milhões, refletindo uma queda das exportações em 743 milhões de euros, superior à diminuição das importações, que foi de 535 milhões de euros. Já a balança de serviços registou uma redução do excedente em 215 milhões de euros, sobretudo devido ao aumento das importações de serviços de transporte, que cresceram 171 milhões, com destaque para o transporte marítimo de carga. Por sua vez, o excedente da balança de rendimento secundário diminuiu 174 milhões de euros, em resultado de uma maior contribuição financeira de Portugal para a União Europeia.

Considerando apenas o mês de fevereiro, as balanças corrente e de capital apresentaram um excedente conjunto de 134 milhões de euros, ligeiramente acima dos 111 milhões registados em fevereiro de 2025. Nesse mês, a balança de bens mostrou uma melhoria do saldo em 22 milhões de euros, explicada por uma redução mais acentuada das importações (menos 424 milhões de euros) face à diminuição das exportações (menos 402 milhões de euros).

Em contraste, a balança de serviços viu o seu excedente diminuir em 42 milhões de euros, influenciado pelo aumento das importações de serviços, nomeadamente nos transportes e nos direitos de utilização de propriedade intelectual. Também a balança de rendimento secundário registou uma queda do excedente em 100 milhões de euros, novamente associada ao aumento da contribuição para o orçamento da União Europeia. Em sentido oposto, a balança de capital apresentou uma melhoria significativa do excedente, de 118 milhões de euros, impulsionada pela maior atribuição de fundos europeus aos beneficiários finais, com destaque para o Plano de Recuperação e Resiliência.

Até fevereiro de 2026, a balança financeira registou um saldo positivo de 78,6 milhões de euros, sustentado sobretudo pelas contribuições de seguradoras, fundos de pensões, particulares, outras instituições financeiras e administrações públicas.

Em contrapartida, observaram-se reduções no Banco de Portugal, nos bancos — devido ao aumento de depósitos recebidos — e nas sociedades não financeiras.

Em síntese, o Banco de Portugal assinala uma deterioração do saldo externo nos primeiros dois meses do ano, explicada principalmente pela redução dos excedentes nas balanças de serviços, bens e rendimento secundário, parcialmente compensada pela melhoria registada na balança de capital em fevereiro.