A Universidade Nova de Lisboa repete no dia 24 de abril a eleição do reitor, após uma decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa nesse sentido. A Reitoria diz ao Jornal Económico (JE) que “o processo está a decorrer de forma normal” e a agenda mantém-se. Nesse dia está prevista a audição pública dos seis candidatos e a eleição pelo Conselho Geral às 17h00.
A polémica em torno da eleição subiu recentemente de tom com o Expresso a avançar que um grupo de professores da Nova SBE impugnou as eleições, estando o processo a cargo da sociedade de advogados Proença de Carvalho.
Contactado pelo JE, Pedro Oliveira, dean da Nova SBE, disse-nos que “acompanha com toda a atenção e seriedade” as questões que têm sido suscitadas em torno da governação da Universidade” e que enquanto instituição nela integrada tem “o dever e o compromisso firme de agir sempre com transparência e no respeito rigoroso das normas legais e estatutárias”.
Sem especificar, mas numa alusão ao noticiado, afirmou: “Tomámos nota de todas as preocupações manifestadas, incluindo as que mereceram notícia pública, e que foram encaminhadas para as instâncias judiciais por um conjunto de professores da Universidade Nova de Lisboa”.
Não se pronunciou sobre essas questões, referindo que “as instâncias competentes estão a funcionar e esse é o lugar certo para as apreciar”. Salientou ainda “respeitar” o processo e “aguardar o seu desenrolar com serenidade”.
Pedro Oliveira recusou, no entanto, comentar o processo eleitoral, cujo desfecho está marcado para daqui a uma semana: “Não nos parece adequado especular e alimentar polémicas”.
O ato eleitoral de dia 24 é retomado no momento que levou à sua repetição: a exclusão de Pedro Maló, que agora figura na lista dos elegíveis. O professor auxiliar na Faculdade de Ciências e Tecnologia | FCT NOVA junta-se, aos cinco professores catedráticos sufragados anteriormente: Paulo Pereira, investigador coordenador na NOVA Medical School, reitor eleito em setembro de 2025, José Alferes, diretor da FCT NOVA, Elvira Fortunato, professora e investigadora na mesma Faculdade, João Amaro de Matos, professor na NOVA School of Business and Economics, e Duilia de Mello, professora de Física e Astronomia na The Catholic University of America.
A legitimidade do Conselho Geral tem sido questionada por ter marcado esta eleição já depois do seu mandato ter terminado, o que lançou a questão de saber se uma decisão tão importante como a eleição do reitor pode ser tomada por um órgão já “fora do prazo”.
Seja como for, a guerra que saltou agressivamente para os jornais e para as redes sociais pouco depois de Paulo Pereira assinatura um Despacho que determina que os nomes das unidades orgânicas, como a Nova SBE ou Nova IMS passem a ser escritos também em língua português, foi tão só o catalisador.
Vasco M. Barreto, professor auxiliar da FCT NOVA e investigador da Unidade de Ciências Biomoleculares Aplicadas, descreveu, recentemente, no “Público” o que, na realidade, está em causa. “É um choque de mundividências antigo na UNL” e “a dramatização em torno do despacho sugere que uma das partes pode já desejar a rutura.”
Como em qualquer guerra, sabe-se como começa, não se sabe como acaba.