Quem não gosta de beber um chá? Seja quente ou fresco… De acordo com um estudo da consultora Maximize Market Research, o setor deverá atingir um valor de 3,25 mil milhões de dólares (cerca de 3 mil milhões de euros) até 2032, face aos 1,38 mil milhões de dólares (cerca de 1,27 mil milhões de euros) registados em 2024, o que corresponde a uma taxa média de crescimento anual de 11,3%.
A procura crescente por bebidas naturais e livres de químicos tem sido um dos principais motores desta expansão. Consumidores cada vez mais informados procuram alternativas que combinem benefícios funcionais com preocupações ambientais, favorecendo chás ricos em antioxidantes, como o chá verde e o chá preto orgânico. A par disso, ganha relevância a procura por soluções associadas ao bem-estar, desde reforço do sistema imunitário até à digestão e controlo de peso.
O estudo sublinha que o mercado está a evoluir além dos formatos tradicionais. Produtos inovadores, como chás prontos a beber (RTD) e misturas funcionais estão a conquistar quota junto de consumidores mais jovens e urbanos. A diversificação de sabores — incluindo combinações com gengibre, curcuma ou hibisco — acompanha esta tendência.
Apesar do crescimento robusto, o setor enfrenta desafios relevantes. A produção de chá orgânico implica custos mais elevados, tanto ao nível do cultivo como dos processos de certificação, o que se reflete em preços finais entre 10% e 15% superiores aos dos produtos convencionais. Certificações internacionais e exigências em matéria de sustentabilidade e condições laborais continuam a representar barreiras à entrada, sobretudo para pequenos produtores.
Ainda assim, as oportunidades permanecem significativas, especialmente em mercados emergentes. O aumento do rendimento disponível e a crescente sensibilização para estilos de vida saudáveis estão a impulsionar a procura em várias regiões. Em paralelo, o comércio eletrónico tem desempenhado um papel decisivo na expansão global do setor, facilitando o acesso a marcas especializadas e produtos premium.
Geograficamente, a região Ásia-Pacífico lidera a produção e consumo, com destaque para a China e a Índia, enquanto países como Sri Lanka, Japão ou Quénia reforçam a sua presença como exportadores. A Europa surge como o segundo maior mercado, sustentado por consumidores exigentes e por um quadro regulatório rigoroso que reforça a confiança nos produtos certificados.
O relatório destaca ainda a crescente importância da sustentabilidade como fator de diferenciação. Embalagens biodegradáveis, cadeias de abastecimento transparentes e práticas agrícolas responsáveis estão a tornar-se critérios decisivos na escolha do consumidor.
Num setor cada vez mais competitivo, grandes marcas e novos operadores apostam na inovação e no posicionamento premium para conquistar quota de mercado. O chá orgânico, outrora um nicho, afirma-se agora como uma das categorias mais dinâmicas da indústria global de bebidas.