Já imaginou se desenhar mapas astrais pudesse ser mais lucrativo do que prever eclipses? Pois é — o mercado global de astrologia está a fazer jus à velha máxima: “quando os planetas se alinham, as carteiras também”. O mercado global da astrologia está a atravessar uma fase de expansão significativa, impulsionado sobretudo pelo crescimento das redes sociais, plataformas digitais e pela procura crescente de orientação personalizada. A conclusão consta de um estudo divulgado pela Allied Analytics LLP, que antecipa uma evolução sustentada do setor até 2031.
O mercado global da astrologia em 2031 deverá valer 22,8 mil milhões de dólares, sustentado por uma taxa média de crescimento anual de 5,7%. A projeção consta de um relatório recente publicado pela Allied Market Research.
Segundo Allied Analytics LLP, a astrologia — definida como um sistema de crenças que interpreta a posição dos corpos celestes para prever acontecimentos e traços de personalidade — continua a conquistar novos públicos, apesar de ser amplamente considerada uma pseudociência pela comunidade científica. A ausência de evidência empírica e de mecanismos verificáveis não tem travado a sua popularidade, particularmente entre as gerações mais jovens.
Um mercado alimentado pelo digital
O estudo destaca que a transformação digital tem sido determinante para o crescimento do setor. Aplicações móveis, plataformas online e criadores de conteúdo têm democratizado o acesso a leituras astrológicas, tornando-as mais imediatas e personalizadas.
Millennials e membros da Geração Z surgem como os principais consumidores, recorrendo à astrologia não apenas por curiosidade, mas também como ferramenta de apoio emocional. A leitura de horóscopos diários, a análise de compatibilidade amorosa e a consulta de mapas astrais tornaram-se práticas comuns, integradas no quotidiano digital.
Este fenómeno tem impulsionado o aparecimento de novos modelos de negócio, desde serviços por subscrição a consultas pagas, passando por influenciadores digitais especializados em conteúdos astrológicos.
A astrologia moderna mantém raízes em práticas antigas, mas diversificou-se em vários ramos. Entre eles, destacam-se a astrologia natal (centrada no mapa astral individual), a astrologia mundana (que analisa eventos globais) e a astrologia horária, utilizada para responder a questões específicas.
Marcas exploram o fenómeno
A astrologia deixou de ser apenas uma prática individual para se tornar também numa ferramenta de marketing. Várias marcas internacionais têm incorporado o tema nas suas estratégias comerciais.
A Dior lançou, em 2019, uma coleção de joalharia inspirada nos signos, enquanto a ColourPop colaborou com a influenciadora Kathleen Lights para criar uma paleta de maquilhagem temática. Já a Spotify introduziu playlists personalizadas com base no chamado “mapa astral musical” dos utilizadores.
Este fenómeno deu origem ao chamado “marketing astrológico”, em que produtos e serviços são desenhados com base em perfis zodiacais, explorando a ligação emocional dos consumidores ao tema.
Inteligência artificial acelera o setor
Um dos pontos mais relevantes do estudo prende-se com a crescente integração de inteligência artificial (IA) no setor. Ferramentas baseadas em IA estão a permitir análises mais rápidas e personalizadas, processando grandes volumes de dados astrológicos em tempo reduzido.
Estas soluções conseguem gerar previsões detalhadas com base em mapas astrais, fases lunares e movimentos planetários, além de ultrapassar barreiras linguísticas ao oferecer resultados em diferentes idiomas.
Outro avanço referido é a chamada “retificação da hora de nascimento” (Birth Time Rectification), que utiliza algoritmos para estimar ou ajustar a hora de nascimento de um indivíduo, aumentando a precisão das leituras.
Entre ceticismo e procura crescente
Apesar do ceticismo científico — que classifica a astrologia como uma prática sem base factual — o relatório aponta para a sua relevância psicológica e cultural. Muitos utilizadores encaram-na como um instrumento de reflexão pessoal, capaz de oferecer conforto, estrutura narrativa e sentido em períodos de incerteza.
A Allied Analytics LLP conclui que este equilíbrio entre tradição, inovação tecnológica e procura emocional deverá sustentar o crescimento do mercado nos próximos anos, consolidando a astrologia como um fenómeno não apenas cultural, mas também económico.
A astrologia não é mais apenas símbolo de revistas de revista de bolso ou colunas de jornal da avó. Entrou no mercado global com elegância — e com cifrões. Com a ajuda da tecnologia, da Internet, da IA, e da curiosidade crescente das novas gerações por espiritualidade, autoconhecimento e bem-estar, a astrologia transformou-se num mercado moderno, digital e em franca expansão.
Se os planetas existissem em bitcoins, talvez já estivessem no topo da cotação. E, cá entre nós, quem nunca abriu uma app só para ver se “Mercúrio estava retrógrado”?