
“Em Portugal temos um défice claro de ambição”, foram as palavras proferidas pelo presidente da Associação dos Industriais Metalúrgicos, Metalomecânicos e Afins de Portugal (AIMMAP), Vítor Neves, na conferência anual da associação, que se realizou esta quarta-feira, 27 de maio, em Guimarães.
Para Vítor Neves, é importante sabermos o que queremos e a partir daí trabalhar para isso acontecer.
Se olharmos para o setor a nível mundial, este tem um valor acrescentado bruto de 6,3% do PIB mundial, já em relação ao PIB português, este setor representa 3%. “Isto demonstra que somos muito bons a saber fazer, e a ser subcontratados, mas a verdade é que esta diferença demonstra como estamos limitados a uma gama muito pequena da cadeia de valor”, apontou.
“Faltam-nos competências da cadeia de valor. Precisamos de muita ambição dos nossos empresários”, sublinhou.
Em Portugal, o setor da indústria metalúrgica e metalomecânica corresponde a um terço das exportações da indústria transformadora, com mais de 24 mil milhões de euros exportados. Contudo, o setor continua a perguntar-se como pode continuar a vender valor.
Para Vítor Neves há três questões fundamentais que o país tem de resolver: a ambição, as políticas públicas, que “têm de ser adaptadas a poderem proporcionar esse crescimento” e, por fim, é necessário que os “principais partidos” se “entendam sobre que modelo de Estado queremos ter”, uma vez que, na sua opinião, temos um “Estado gordo, lento e burocrático que nos dificulta a vida”.
O presidente defende uma baixa de impostos, uma vez que esta baixa faz com que as pessoas tenham mais dinheiro disponível para consumirem e as empresas para investir. “Baixa de impostos é um efeito benéfico”, garante.
Durante a conferência a burocracia também foi apresentada como um desafio para as empresas conseguirem criar e vender valor.