Bulgária realizou hoje a sua oitava eleição parlamentar em cinco anos, com o partido do ex-presidente pró-russo Rumen Radev, a Bulgária Progressista, a liderar com 37,5% dos votos, segundo a sondagem à boca das urnas da agência Alpha Research citada pela Reuters.
Radev, antigo piloto de caças eurocético que se opõe ao apoio militar ao esforço de guerra da Ucrânia contra Moscovo, abandonou a presidência em janeiro para concorrer nestas eleições, que surgem após protestos em massa que derrubaram o anterior governo em dezembro.
A segunda força mais votada, segundo a Reuters, deverá ser o partido conservador GERB-UDF, do ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, com 16,2%, seguido da coligação Continuamos a Mudança – Bulgária Democrática, com 14,3%.
Uma campanha assente na luta contra a corrupção
Radev, que defendeu o restabelecimento de laços com a Rússia e se opõe ao envio de ajuda militar à Ucrânia, foi presidente durante nove anos neste país dos Balcãs com 6,5 milhões de habitantes. A sua candidatura centrou-se num discurso anticorrupção e na promessa de estabilidade política, após anos de governos frágeis e de curta duração.
Na sua última manifestação de campanha, o ex-presidente projetou imagens dos seus encontros com líderes mundiais, incluindo o presidente russo Vladimir Putin. Ainda assim, analistas consideram que, mesmo que vença, Radev dificilmente fará um esforço sério para reorientar a Bulgária em direção à Rússia, apesar das suas ligações a Moscovo.
A Bulgária enfrenta uma instabilidade política repetida desde 2021, quando grandes manifestações anticorrupção puseram fim ao governo conservador do histórico líder Borissov. Desde então, nenhum governo durou mais de um ano antes de cair perante protestos nas ruas ou manobras parlamentares.
A participação eleitoral deverá rondar os 60%, quase o dobro dos 34% registados em junho de 2024 — sinal do entusiasmo que a candidatura de Radev gerou no eleitorado.
Se os resultados das sondagens se confirmarem, a Bulgária Progressista seria o maior grupo parlamentar na 52.ª Assembleia Nacional, dando a Radev o direito constitucional de receber o primeiro mandato para tentar formar governo. Os resultados oficiais deverão ser conhecidos na segunda-feira.