O líder do Partido Socialista, José Luís Carneiro, afirmou este domingo que as sondagens de opinião revelam uma desconfiança estrutural dos portugueses em relação ao Governo liderado por Luís Montenegro. As declarações foram feitas durante a Comissão Nacional do PS, que decorreu em Lisboa.

“É mais importante estarmos a subir nas sondagens do que estarmos a descer nas sondagens. Haverá alturas em que vamos descer nas sondagens e, portanto, não podemos viver com essa inquietação das sondagens. São indicadores, são retratos do momento, mas há uma coisa que elas estruturalmente já dizem: os portugueses não confiam no Governo e que o doutor Luís Montenegro está errado quando diz que o país está melhor”, enfatizou Carneiro.

O secretário-geral do PS criticou a narrativa governamental de melhoria económica, argumentando que desconsidera as dificuldades reais da população. “Quem diz que o país está melhor esquece as dificuldades de quem não consegue enfrentar o aumento do custo de vida, de quem desconhece a vida das pessoas”, afirmou, referindo-se a quem faz “contas dos cêntimos” com os aumentos nos combustíveis e nas compras.

Carneiro voltou a atacar a política de impostos sobre os combustíveis, classificando-a de “imoral”. Criticou a decisão do Governo de reduzir em 1,5 cêntimos o desconto extraordinário do Imposto sobre Produtos Petrolíferos (ISP) no gasóleo, mantendo o da gasolina inalterado. “O Estado vai continuar a ganhar ainda mais com a receita aplicada aos combustíveis no nosso país”, acusou, considerando que o Governo “decidiu reduzir a margem que é destinada à receita do Estado” em vez de aliviar efetivamente os consumidores.

Esta posição repete as críticas feitas por Carneiro no debate quinzenal da semana anterior, onde já havia denunciado a “imoralidade do Estado estar a ganhar dinheiro à custa do sacrifício das portuguesas e dos portugueses”, numa alusão ao contexto de crise internacional.