O Banco Comercial Português (BCP) está prestes a apresentar resultados históricos no arranque de 2026, segundo uma nota de research divulgada pelo banco norte-americano Jefferies. O banco de investimento mantém a recomendação de “comprar” e elevou o preço-alvo para 1,10 euros por ação, o que representa um potencial de valorização de cerca de 24% face à cotação atual.

De acordo com as previsões, o BCP deverá registar um lucro líquido de 293 milhões de euros no primeiro trimestre, o mais elevado de sempre num único trimestre. Este desempenho será sustentado por uma evolução sólida da margem financeira em Portugal e por uma redução significativa das provisões associadas a créditos em moeda estrangeira na Polónia, defendem os analistas do banco de investimento.

O Jefferies diz também que em Portugal, a margem financeira do BCP deverá crescer cerca de 3% em cadeia, impulsionada por volumes robustos de crédito, ainda que parcialmente compensada por alguma compressão das margens. Já na Polónia, o banco espera uma ligeira queda de 3%, refletindo o ciclo de descida de taxas de juro naquele país. As provisões relacionadas com créditos em francos suíços deverão cair para cerca de 45 milhões de euros, uma redução de aproximadamente 60% face à média trimestral de 2025, reforçando a expectativa de que 2026 será o último ano com impacto relevante deste tema.

O rácio de capital CET1 deverá manter-se estável nos 15,6%, demonstrando solidez financeira mesmo considerando uma política de distribuição de resultados, defende o Jefferies.

O banco norte-americano destaca ainda que apesar da valorização recente, o BCP continua a negociar em linha com outros bancos europeus, mas com perspetivas de crescimento e rentabilidade superiores. O Jefferies estima um crescimento médio anual dos lucros por ação de 16% até 2028 e uma rentabilidade dos capitais próprios tangíveis (RoTE) superior a 20%.

Além disso, o banco poderá devolver aos acionistas cerca de 33% da sua capitalização bolsista até 2028, através de dividendos e excesso de capital, mantendo-se como uma das histórias de crescimento mais atrativas no setor bancário europeu, dizem os analistas.

Economia portuguesa resiliente ao contexto geopolítico

O Jefferies destaca ainda que Portugal se encontra relativamente protegido dos efeitos diretos do conflito no Médio Oriente, nomeadamente devido à reduzida dependência de petróleo da região e à forte componente de energias renováveis no mix energético nacional. Além disso, a economia mais orientada para serviços torna-a menos intensiva em energia do que outras economias europeias.

O banco de investimento antecipa também que Portugal poderá beneficiar de fluxos turísticos adicionais, à medida que parte da procura se desvia de destinos no Médio Oriente e na Turquia para o sul da Europa.

Venda da participação da Fosun pode pressionar ações no curto prazo

Um dos riscos apontados pelo banco de investimento prende-se com a eventual venda da participação de cerca de 20% detida pela Fosun no BCP. Segundo notícias recentes, o grupo chinês poderá considerar esta alienação devido a pressões financeiras. Uma informação que no entanto permanece por confirmar.

Embora tal cenário possa pesar no desempenho das ações no curto prazo, o Jefferies considera que, a médio prazo, uma saída da Fosun poderá ser positiva, caso resulte na entrada de um acionista mais estratégico e estável, eliminando um fator recorrente de incerteza no capital do banco.

As ações do BCP fecharam esta terça-feira, 21, a cair -1,19% para 0,88 euros.