A ministra da Saúde, Ana Paula Martins, foi confrontada, esta terça-feira, pela Iniciativa Liberal sobre a saída da antiga secretária de Estado Cristina Vaz Tomé do Governo. A governante afirmou que nada teve que ver com o INEM, mas sim porque Cristina Vaz Tomé, que é engenheira, “tinha outros projetos”.

Cristina Vaz Tomé tomou posse, enquanto secretária de Estado, a 5 de abril de 2024 no XXIV Governo. Cessou funções a 5 de junho de 2025, aquando da remodelação que deu origem ao XXV Governo.

Cristina Vaz Tomé afirmou na CPI ao INEM, desta tarde, que não foi informada de qualquer pré-aviso de greve, defendendo que, apesar de essa informação ter sido enviada para o seu chefe de gabinete, “não significa que vá para o secretário de Estado ou para a ministra”. A ex-governante garantiu ainda: “Não havia razões para me demitir”.

Por sua vez, Ana Paula Martins afirmou que: “Se a engenheira Cristina Vaz Tomé, enquanto secretária de Estado da gestão da Saúde, tivesse que sair do Governo por causa da situação que ocorreu com o INEM, eu acredito que o primeiro-ministro quando, como acontece com todos os Governos, teve um momento de remodelação de alguns secretários de Estado, teria também substituído Cristina Vaz Tomé coisa que não o fez e eu também não o pedi para ser feito”.

“Cristina Vaz Tomé completou todo o vigésimo quarto Governo, enquanto estivemos, trabalhamos sempre com enorme proximidade e quando acabou essa legislatura e fomos para eleições fizemos naturalmente as nossas escolhas e Cristina Vaz Tomé tinha outros projetos na sua vida. Felizmente não nos eternizamos nos lugares”, sublinhou.

Quando lhe foi revelada a informação sobre que Cristina Vaz Tomé tinha remetido a resposta sobre a sua saída do Governo para a ministra da Saúde, a governante simplesmente respondeu que: “Não vi a engenheira, não tive essa felicidade e essa oportunidade. Acho essa resposta natural e portanto não vou comentar”.

A comissão parlamentar de inquérito ao INEM foi criada na sequência das greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar em outubro de 2024, que provocaram constrangimentos significativos na resposta do sistema, que terão resultado em 12 mortes durante a paralisação.