Não é ficção. Tão-pouco engenharia financeira criativa. Nesta aula, os alunos aprendem a fazer um orçamento com óculos de realidade virtual nos olhos. Ou seja, descobrem dois mundos: algo tão antigo como equilibrar o “deve” e “haver” de uma empresa, equipados com tecnologia de ponta.
“Os alunos vão ter de fazer um orçamento e serão avaliados pela qualidade do orçamento”, explica Marta Almeida, a professora da Nova School of Business and Economics que nos abre as portas da sua sala de aula.
A atividade coloca meia centena de alunos, organizados em grupos, a trabalhar num contexto empresarial simulado de duas empresas, uma fornecedora de madeira e outra compradora. Os alunos assumem diferentes funções, estando distribuídos por três departamentos – equipa de vendas, administração e produção. Cada um veste o seu papel.
“Terão de fazer um orçamento para o seu departamento – esse é o desafio”, adianta Marta Almeida. Vão resolver um caso prático, aprender-fazendo.
O outro desafio com que estão confrontados nesta aula de três horas ao final da tarde é que para chegarem à folha de Excel, a ferramenta indispensável num orçamento, vão ter de mergulhar num mundo totalmente virtual onde se podem mover, tocar e interagir com o que os rodeia, utilizando auscultadores de RV e sensores portáteis.
“É extremamente desafiante!”, comenta connosco Vicente Correia, de 24 anos, aluno do Mestrado de Management. Foi o primeiro do seu grupo a prender os óculos à cabeça e jogar a mão ao joystick e há minutos que explora divertido o mundo da realidade virtual. Até agora, só tivera um contacto muito ocasional, mas diz que é fácil e rápido ganhar o jeito.
Quando lhe perguntamos se só com papel e uma calculadora não seria mais simples fazer um orçamento, responde: “Era mais fácil, sim, mas não seria tão desafiante e interessante. Seria apenas mais uma aula… Normal!”.
Tal como o Vicente, ao fim da primeira meia hora de aula, todos os alunos entraram e estão a colocar dados no Excel. A Nova SBE foi há três anos a primeira instituição de ensino superior em Portugal a inaugurar uma sala no metaverso, experiência que serviu, aliás, para apresentar Pedro Oliveira, o dean. Este ano letivo leciona uma “aula híbrida”, inserida na unidade curricular de Strategic Planning and Control, frequentada por alunos de vários mestrados.
“Estamos a desenvolver capacidades que vão muito além do orçamento”, diz Marta Almeida. Oriunda de uma área clássica da Gestão (é doutorada em Contabilidade e Finanças pela Universidade de Manchester), recentemente foi agraciada com uma menção honrosa no Prémio de Inovação Pedagógica da Universidade Nova de Lisboa. A aula de hoje é um caso de estudo imersivo e uma experiência de inovação pedagógica, que tem por detrás um trabalho de grupo, envolvendo o IA Experience Lab, o Immersive Studios e o LIFT.
Em salas de aulas onde a caneta e o papel caíram em desuso, o computador portátil ocupa o lugar central. Tudo mudou muito, para alunos e professores. Marta Almeida diz ao JE que uma aula é muito mais do que transmitir conhecimento. “Exploramos novas formas de ensino e de captar a atenção dos alunos. Preparamo-los para o mundo lá fora, onde estas ferramentas existem”.
No campus, as salas Manuel Alves Ribeiro e Chrita & Roman Stern tornaram-se uma só para acolher a turma de meia centena de alunos. São sobretudo dos mestrados Finanças e Gestão, os dois em que a Nova SBE mais se distingue lá fora. Cada grupo integra várias nacionalidades.
Vicente é de Guimarães, formou-se no estado norte-americano do Kentucky, onde praticou fundo e meio fundo. Em breve, estará no mundo do emprego, que já experimentou. Tem uma proposta, e tanto quanto sabe, dela não consta a realidade virtual, mas nunca fiando. “Todos os dias damos de caras com um mundo novo. A inovação tem de ir entrando gradualmente na educação”, adianta.
O inglês é o idioma aqui. Quase esquecemos que estamos em Carcavelos, até alguém se descair num mix: “Professora, help!