O Aeroporto do Porto integra o grupo dos dez aeroportos europeus com maior incidência de atrasos superiores a uma hora, ocupando a sétima posição de um ranking liderado por Manchester. Já Lisboa ficou à porta desta lista, em 11.º lugar, apesar de apresentar a maior proporção de voos com atrasos prolongados.

Os dados constam de uma análise da AirAdvisor, plataforma global especializada em compensação de voos e bagagens, que avaliou mais de 9,5 milhões de voos em 46 aeroportos europeus ao longo de 2025. O ranking resulta de um indicador ponderado que combina a taxa de atrasos superiores a 60 minutos (70%) com a duração média desses atrasos (30%).

No caso do Porto, a taxa de voos afetados atinge os 5,31%, com uma duração média de atraso de 109,45 minutos. Entre os fatores que mais contribuem para este desempenho estão rotas com destino a Lisboa, Madrid e Amesterdão, apontadas como particularmente vulneráveis a perturbações.

Lisboa apresenta um cenário paradoxal. Apesar de registar a maior proporção de atrasos longos — 7,17% dos voos, o equivalente a cerca de um em cada 14 —, a duração média dessas interrupções (101,7 minutos) é inferior à de outros aeroportos, o que permitiu evitar, por margem curta, a entrada no top 10.

Manchester surge no topo da lista, com uma taxa de atrasos de 6,16% e uma duração média de 116,7 minutos. Palma de Maiorca ocupa a segunda posição e Cracóvia a terceira, destacando-se esta última pela gravidade dos atrasos, com uma média superior a 138 minutos após ultrapassada a primeira hora.

O estudo revela ainda um padrão geográfico: quatro dos dez aeroportos com pior desempenho localizam-se em Inglaterra, tornando o país o mais representado no ranking. Em contraciclo, grandes hubs europeus como Heathrow ou Paris Charles de Gaulle apresentam melhores resultados, contrariando a perceção de que o maior volume de tráfego implica necessariamente mais atrasos.

“O ranking desafia uma suposição comum que os aeroportos mais movimentados da Europa são os mais propensos a interrupções”, afirma Anton Radchenko, CEO da AirAdvisor. “Os passageiros assumem frequentemente que os maiores hubs são os mais propensos a interrupções, mas este ranking mostra que alguns aeroportos de média dimensão podem ser mais vulneráveis a atrasos de até uma hora”.

Segundo o responsável, a explicação reside na capacidade de resposta operacional. “Quando os aeroportos operam com um elevado volume de passageiros sem a mesma capacidade de recuperação que os principais hubs, os atrasos podem tornar-se mais difíceis de absorver quando as operações estão sob pressão.”

Outro dos elementos destacados é o efeito de rede, com determinados aeroportos a surgirem repetidamente nas rotas mais afetadas. Amesterdão é um desses casos, aparecendo associado a ligações com origem em cidades como Manchester, Cracóvia, Nice, Porto, Marselha e Birmingham.

“Quando os mesmos hubs continuam a aparecer nas rotas mais propensas a atrasos, isso sugere que os passageiros estão a ser expostos não só ao desempenho do aeroporto local, mas à pressão que se espalha por toda a rede”, sublinha Radchenko.

Para quem viaja em 2026, o estudo deixa um alerta claro: o risco não está apenas na probabilidade de atraso, mas também na sua duração. E isso pode ter impacto direto em ligações apertadas, sobretudo em aeroportos intermédios.

A AirAdvisor recorda ainda que, ao abrigo do Regulamento (CE) n.º 261/2004, atrasos superiores a três horas podem dar direito a compensações até 600 euros, dependendo das circunstâncias. As companhias aéreas são igualmente obrigadas a prestar assistência, incluindo refeições, bebidas e, se necessário, alojamento.

“O consumidor deve guardar os documentos e agir rapidamente. Os cartões de embarque devem ser guardados, assim como os recibos e as notificações de atraso. A reclamação deve ser feita imediatamente após a viagem e os clientes devem ter cuidado ao aceitar vouchers antes de confirmar que não limitam o seu direito a uma compensação em dinheiro”, aconselha o CEO da plataforma.