A conclusão da venda de 75% do Novobanco, que ficou agendada para esta quinta-feira, revela uma fatura pesada em serviços de assessoria. A Lone Star, através do seu veículo Nani Holdings, pagou 47,06 milhões de euros para remunerar os assessores financeiros e jurídicos que montaram a operação que é hoje concretizada.
Este montante será abatido ao encaixe da venda, que ascende a 5.019.070.388 euros (5,02 mil milhões), reduzindo o valor líquido a receber pelo fundo norte-americano.
Os maiores beneficiários
O Deutsche Bank surge como o principal vencedor nesta operação, arrecadando 24,8 milhões de euros, quase metade do valor total gasto em assessoria. Seguem-se os gigantes norte-americanos JP Morgan e Bank of America, com honorários de 5,3 milhões de euros cada.
No que toca ao apoio jurídico, a Weil, Gotshal & Manges liderou os custos com 6,4 milhões de euros, enquanto a portuguesa DLA Piper registou honorários de um milhão de euros.
Com valores mais reduzidos surgem a Uría Menendez Portugal, com um custo de 0,1 milhões de euros (100 mil euros), e a Wilmington Trust, que faturou 0,006 milhões de euros (6 mil euros).
A somar a estes serviços, o veículo Nani Holdings suportou ainda um encargo de 4,1 milhões de euros relativos a IVA, elevando o total investido em consultoria e impostos associados para cerca de 47 milhões de euros.
Recorde-se que a sociedade de advogados DLA Piper prestou assessoria jurídica à Nani Holdings (afiliada da Lone Star Funds) na venda do Novobanco ao grupo francês BPCE em 2025. A DLA Piper trabalhou em conjunto com a Weil, Gotshal & Manges na estruturação do negócio.
O assessor contratado para gerir a venda dos 75% detidos pelo fundo norte-americano foi o Deutsche Bank.
Inicialmente, o Deutsche Bank, JP Morgan e Bank of America estiveram a assessorar a Lone Star numa hipotética Oferta Pública Inicial (IPO), num projeto conhecido no mercado como “Projeto Liberdade”, que nunca saiu do papel.
A venda do Novobanco foi muito lucrativa para os bancos de investimento e escritórios de advogados.
A CS’Associados, por exemplo, assessorou o Groupe BPCE no processo de aquisição do Novo Banco, em conjunto com a sociedade de advogados francesa Darrois Villey Maillot Brochier.
O Fundo de Resolução (FdR) contratou o banco de investimento Lazard como assessor financeiro para o processo de avaliação e venda da sua participação de 13,54% no Novobanco ao grupo francês BPCE.