A consultora global em soluções de tecnologia e software SoftwareOne entrou em Portugal através de uma aquisição, concluída em julho do ano passado, da Crayon, com 10 anos de atividade. O objetivo é crescer em Portugal e fazer a operação portuguesa crescer na rede da empresa suíça

“Foi uma oportunidade estratégica. Mais do que uma chegada de raiz, trata-se da evolução de uma presença que já existia e que operava sob a marca Crayon”, diz Artur Amaral, country manager da SoftwareOne para Portugal, ao Jornal Económico. “É uma equipa com mais de uma década de experiência no mercado português e relações consolidadas com clientes e parceiros”, explica.

Portugal junta-se assim aos mais de 70 países onde a tecnológica suíça de 26 anos atua.

As duas empresas vão passar a ser uma só estrutura, sendo que para os clientes a única diferença vai ser o “acesso a um portefólio de soluções e serviços mais amplo, um ecossistema alargado de parceiros tecnológicos, um aumento do leque de competências especializadas, reforço da cobertura à escala global e das capacidades através de centros de competência internacionais”, diz Amaral.

As duas empresas juntas passam a contar com um portefólio de soluções que nenhuma das empresas teria isoladamente, com 13 mil colaboradores e juntas têm uma receita combinada “na ordem de 1.600 milhões de euros”.

Os clientes portugueses vão continuar a contar com a oferta em áreas como multicloud – Azure, Google e AWS – inteligência artificial (IA), ITAM e FinOps, ao mesmo tempo que vão ter disponível um conjunto de novas áreas críticas como cibersegurança avançada, serviços geridos 24×7, um leque alargado de parceiros tecnológicos.

Um dos objetivos da empresa com esta entrada é manter e reforçar a sua oferta em áreas estratégicas, continuando a apostar “fortemente” no setor público, nos serviços financeiros, serviços de saúde e na indústria.

Para já a empresa pretende “escalar” a operação que a Crayon já tinha em Portugal, mas no futuro ambiciona “reforçar o papel de Portugal” dentro da região em que se insere, “não apenas como um mercado relevante, mas como um contribuinte ativo para a evolução e os resultados da operação como um todo”.

A IA também está na visão estratégica da tecnológica, contando já com vários casos de sucesso de implementação em Portugal. “Queremos continuar a reforçar esse posicionamento, ajudando as organizações portuguesas não apenas a implementar tecnologia, mas a extrair valor real através de IA”, declara.

Para a empresa Portugal tem registado um “crescimento consistente e acima da média do grupo WEMEA (Western Europe, Middle East and Africa)”, sendo um mercado caracterizado por um tecido empresarial “cada vez mais consciente da importância da transformação digital e da adoção da inteligência artificial e por um setor público que tem vindo a investir de forma mais estruturada em modernização tecnológica”, salienta.

Perante estas características, a tecnológica vê “um enorme potencial de crescimento e de criação de valor a longo prazo” no nosso país.

Contudo, há desafios. “As empresas estão sob enorme pressão para controlar despesas, mas ao mesmo tempo precisam de investir em transformação digital e IA para se manterem competitivas”, diz. Esta situação impulsionou a otimização de custos de TI, que é agora uma prioridade.

A IA trouxe vários benefícios, mas também algumas dificuldades para as empresas, sendo a segurança dos dados umas delas. “Há muito ruído em torno da IA, mas pouca clareza sobre como a utilizar de forma pragmática e escalável”, declara.

O facto de o tecido empresarial português ter poucas grandes empresas também é um desafio, fazendo com que as pequenas e médias empresas (PME) necessitem de “parceiros que não só entendam a tecnologia, mas também as ajudem a navegar este enquadramento com confiança”.

Para o futuro, a tecnológica pretende continuar a investir no reforço das equipas, no desenvolvimento de talento e na especialização em áreas críticas. Quer também continuar “a crescer com consistência” e ganhar relevância no mercado.