Portugal apresenta níveis de investimento relativamente baixos no ensino superior, com uma despesa por estudante de 14 155 dólares em 2022, cerca de 35% abaixo da média da União Europeia a 25, que é de 21 762 dólares, de acordo com um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos.

As famílias portuguesas pagaram 30% dos custos, acima da média da UE-25, que é de 13%. O estudo, intitulado “Ensino Superior em Portugal: evolução, desafios e impacto no emprego e nos salários”, coordenado por Luís Catela Nunes, destaca que o modelo português de partilha de custos, que combina financiamento público com propinas, está sob pressão devido à despesa diminuta nas instituições de ensino superior.

Para resolver estas questões, os investigadores sugerem reequilibrar os contributos públicos e privados, ajustando as propinas e reforçando as ajudas financeiras indexadas às necessidades económicas dos estudantes, como bolsas de estudo, de modo a proteger o acesso e assegurar a qualidade institucional.

O estudo revela grandes variações entre países. A Escandinávia (Suécia, Dinamarca e Noruega) apresenta níveis elevados de investimento com contribuições familiares mínimas (4% ou menos). Em contrapartida, os Estados Unidos e o Reino Unido dependem fortemente do financiamento das famílias, com 38% e 55%, respetivamente, apesar das elevadas despesas por estudante, correndo o risco de excluir estudantes com rendimentos mais baixos e agravar as desigualdades.