O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, alertou hoje para o “potencial risco de incêndio” em várias regiões do país, com destaque para a zona de Pedrógão Grande, onde o risco de grandes fogos é elevado. Em entrevista à Lusa, Silvestre sublinhou que a regeneração da vegetação nas áreas afetadas por incêndios anteriores torna o fogo “bastante superior” quando ocorre um novo incidente.

Segundo o comandante, o ciclo do fogo, que se repete entre oito a dez anos, é um fenômeno bem estudado: “Se não houver intervenção humana para gerir o território, o potencial de grandes incêndios aumenta significativamente, especialmente com as alterações climáticas e a severidade meteorológica cada vez mais visível”.

Silvestre destacou que o IC8, itinerário que atravessa Pedrógão Grande, é atualmente uma zona de elevado potencial de incêndio, e que a Proteção Civil irá reforçar os meios disponíveis na região. Além desta área, outras regiões críticas incluem o pinhal interior (distritos de Leiria, Castelo Branco e Coimbra), o Algarve e o Norte do país.

Outra preocupação adicional para 2025 é a região de Leiria, afetada pela depressão Kristin, que derrubou milhares de árvores. A Proteção Civil está a criar planos específicos para desobstruir caminhos florestais, facilitando a deslocação dos bombeiros em caso de incêndio.

O comandante apelou ainda à responsabilidade dos cidadãos, sublinhando que a limpeza dos terrenos e a autoproteção dos aglomerados urbanos são fatores decisivos para mitigar o impacto dos fogos. “Se as pessoas forem mentoras da sua autoproteção, será tudo muito mais fácil para todos”, afirmou.

Portugal tem conseguido reduzir o número de ignições ao longo dos anos, mas nos períodos de maior severidade a redução é menos significativa. Silvestre concluiu alertando que, em dias de calor, a utilização do fogo deve ser eliminada para evitar novas ignições.