O comandante nacional da Proteção Civil, Mário Silvestre, afirmou hoje que o dispositivo de combate a incêndios rurais está dimensionado para a realidade do país e para aquilo que é expectável acontecer, realçando que a eficácia depende da dimensão dos fogos e do comportamento humano.
Em entrevista à Lusa, na véspera do reforço do Dispositivo Especial de Combate aos Incêndios Rurais (DECIR), Mário Silvestre explicou que o objetivo é mitigar os impactos, mas que não é possível dimensionar o dispositivo para o pior cenário. “Dimensionamos o dispositivo para aquilo que será, não para o pior cenário”, disse.
O DECIR prevê um ligeiro aumento de meios em 2025, incluindo operacionais e aeronaves, num contexto em que o Governo alertou que 2026 pode ser um ano difícil devido aos incêndios rurais, agravado pela tempestade Kristin que afetou a região centro em janeiro.
Questionado sobre a adequação dos meios, o comandante sublinhou que o dispositivo “depende do número de ocorrências, da dimensão dos incêndios e do comportamento humano”, acrescentando que em zonas de alto risco, como áreas com potencial para arder 100 mil hectares, o combate se torna mais desafiante.
O DECIR não é um documento fechado e pode ser ajustado conforme as avaliações. Os meios serão reforçados a partir de 15 de maio, com o ‘nível Bravo’, passando para 11.955 operacionais, 2.031 equipas, 2.599 veículos e 37 meios aéreos, além dos helicópteros da AFOCELCA. A fase mais crítica, de julho a setembro, contará com 15.149 operacionais, 2.596 equipas, 3.463 viaturas e 81 meios aéreos, incluindo dois helicópteros Black Hawk da Força Aérea pela primeira vez.
No ano passado, o DECIR enfrentou problemas com a disponibilidade de meios aéreos devido a avarias, mas Mário Silvestre afirmou que este ano não há constrangimentos e que o dispositivo está pronto para arrancar, contando com as 81 aeronaves previstas.