A equipa de investimentos da gestora de ativos Schroders, numa análise intitulada ‘Anatomia de uma (Quase) Bolha’, alertou que o mercado bolsista “pode não estar” numa bolha clássica, mas apresenta algumas das suas características, como expectativas elevadas e posicionamento concentrado.
A gestora sugere que os investidores mantenham posições nas principais empresas de inteligência artificial (IA) e EUA, enquanto constroem resiliência através da diversificação, incluindo ações mais baratas fora dos EUA e exposição a ativos de valor profundo.
A inteligência artificial tem sido a “narrativa dominante” desde o surgimento do ChatGPT em novembro de 2022. As ações tiveram três anos consecutivos de ganhos de dois dígitos, impulsionadas por um grupo restrito de ações, como as “Magníficas 7”. No final de 2025, essas empresas representavam cerca de 35% da capitalização do S&P 500 e explicavam mais de metade do retorno anualizado de 21,9% do índice.
A Schroders destaca que, embora não haja uma definição amplamente aceite de “bolha”, o cenário atual partilha várias características de bolhas passadas: avaliações próximas do topo histórico, concentração do mercado que excede a bolha da internet (as 10 maiores ações do S&P 500 controlam 39% da capitalização), forte construção narrativa em torno da IA e elevada participação de investidores individuais.
No entanto, as métricas atuais não são tão extremas como em episódios passados. Os múltiplos P/L futuros das ações populares (27x) estão longe dos 52x da bolha tecnológica ou dos 67x da bolha japonesa. A gestora recomenda um portefólio amplamente diversificado, focado na seleção criteriosa de ações, considerando setores defensivos e cíclicos.
A Schroders também alerta para riscos estruturais, como a falta de energia para alimentar a infraestrutura de IA, que pode limitar o crescimento e impactar setores como utilities, energia e redes elétricas.