O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, afirmou ter sido claro sobre a posição do Governo em relação à Base das Lajes, nos Açores, e desafiou o Partido Socialista a esclarecer se mudou de posição sobre as prioridades estratégicas de Portugal.
“O tempo da clareza agora é para outros, que ainda não foram claros sobre se mudaram de posição quanto àquelas que são as prioridades estratégicas de Portugal”, declarou Rangel, em declarações aos jornalistas esta terça-feira.
O governante falava após uma reunião com o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, no âmbito da visita do primeiro-ministro às ilhas. Em causa está a renovação do acordo de cooperação entre Portugal e os Estados Unidos para a utilização da Base das Lajes, cujo prazo expira em 2026.
Rangel reiterou que o Governo português defende a manutenção da base como um “instrumento fundamental para a segurança e defesa do Atlântico Norte” e que “nunca houve qualquer dúvida” sobre essa posição. O apelo à clareza dirige-se ao PS, que tem mostrado reservas quanto ao modelo de negociação com os EUA.
“O PS tem de dizer se concorda ou não com a estratégia de defesa nacional que temos vindo a seguir”, insistiu o ministro, sublinhando que o executivo está disponível para um debate aprofundado no Parlamento.
O acordo atual permite a presença militar norte-americana na ilha Terceira em troca de contrapartidas financeiras e logísticas. O Governo português pretende garantir uma nova parceria que reforce o papel dos Açores no contexto da NATO e da segurança europeia.
O líder do PS, Pedro Nuno Santos, ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema, mas fontes socialistas admitem que há divergências internas quanto à melhor abordagem negocial.